O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu a recapitalização e o fortalecimento da Caixa Geral de Depósitos (CGD), desde que tal sirva para o desenvolvimento económico e apoio às famílias.

O PCP está de acordo que se recapitalize a CGD desde que sirva para o desenvolvimento económico, para atender às pequenas e médias empresas (PME), para atender às famílias. Esta é uma posição clara do PCP", afirmou.

Na sua intervenção, durante o encerramento da X Assembleia da Organização Regional de Castelo Branco do PCP, Jerónimo de Sousa sublinhou que uma das questões que está na ordem do dia é o "sim ou não" à recapitalização da CGD.

"Nós [PCP] defendemos que o Estado que tanto tem posto a mão por baixo à banca privada, obrigando os portugueses a pagar o desmando dessa banca, nós pensamos que a CGD não só deve ser recapitalizada como fortalecida com o objetivo de se virar para o apoio da nossa economia nacional, dos pequenos e médios empresários e agricultores, de apoio às famílias", defendeu.

Jerónimo e as "ameaças" da União Europeia sobre o défice

O líder comunista abordou também a questão das "ameaças de sanções" patentes nas conclusões da reunião dos comissários da União Europeia (UE), por causa do défice excessivo das contas públicas do país em 2015.

O que está em curso é uma operação que visa levar ainda mais longe o condicionamento do rumo do país no sentido contrário aos interesses nacionais. O que a Comissão Europeia acaba de afirmar ser necessário corrigir é exatamente o resultado desastroso das políticas que nos impuseram nos últimos anos e, particularmente, nestes anos de pacto de agressão".

O secretário-geral do PCP recordou que, nos últimos anos, cada novo conjunto de "recomendações" da UE serviu sempre "para aumentar a exploração dos trabalhadores e do povo e acabou por agravar mais e mais a situação económica e social do país e a enorme dívida que carrega".

"O que a decisão do colégio de comissários vem comprovar é que a política, as chantagens e as imposições da UE, estão em total confronto que a política que Portugal precisa e de que os trabalhadores e o povo português reclamam", sustentou.

Durante o discurso, Jerónimo de Sousa disse que o país precisa de fazer parar o "ciclo vicioso" de destruição económica e social e adiantou que ou Portugal cria condições para crescer e se desenvolver ou cede à pressão e chantagem da UE.

"O país precisa de remover três grandes constrangimentos e por sua vez, adotar três indispensáveis instrumentos para a resolução deste magno problema nacional. Tem de libertar-se do euro, tem de renegociar a dívida e tem que controlar publicamente a banca para arranjar, respetivamente, a moeda, os recursos e os créditos que lhe financiem o crescimento económico e o desenvolvimento", sublinhou o líder comunista.

A submissão ao euro, a dívida colossal e a dominação monopolista da banca são, segundo o secretário-geral do PCP, três mecanismos de dependência e três veículos de transferência de recursos para o estrangeiro que tanta falta fazem ao país.

"Portugal precisa da sua própria moeda", sustentou.

Jerónimo de Sousa falou ainda dos primeiros meses da fase da nova vida nacional e disse que os resultados ainda estão aquém do que é necessário na resposta às reivindicações e na reposição dos direitos e da melhoria das condições de vida dos trabalhadores e do povo.

"Sabemos que as opções do Governo do PS não integram a solução de fundo que, a nosso ver, o país precisa para resolver os graves problemas com que está confrontado, nomeadamente para responder às necessidades do crescimento económico e do emprego, mas não subestimamos nem desprezamos os avanços já conseguidos", concluiu.