Jerónimo de Sousa confirmou, este domingo, após o conhecimento dos resultados das eleições europeias, a apresentação de moção de censura ao Governo.

«Após informação às componentes da CDU, o PCP anuncia hoje a sua decisão de apresentar uma moção de censura ao Governo, uma censura a uma política e uma prática de permanente confronto com a constituição da república, de afronta a lei e de comprometimento de funcionamento normal das instituições. Uma moção de censura que é também uma condenação à política da troika e às manobras para manter por outra via, agora por tratado orçamental que PS, PSD e CDS impuseram e apoiam, o mesmo rumo de exploração», afirmou o líder do PCP.

Jerónimo de Sousa afirmou ainda que estas eleições representam uma «pesada derrota para os partidos do Governo»: «Os resultados conhecidos confirmam uma derrota dos partidos do governo e uma contundente condenação da sua política».

Segundo o líder comunista, «a mais baixa votação de sempre destes partidos (PSD e CDS-PP) foi uma clara censura do povo português», não deixando, na sua opinião, qualquer «mão protetora de Cavaco Silva, por maior que seja a sua cumplicidade», uma «outra decisão que não a convocação de eleições antecipadas».

«Inevitavelmente, a censura é ao Governo e à sua política. Se o PS tiver algum problema em identificar-se com essa política... Identificou-se com memorando da troika, com o Tratado Orçamental, mas não é uma moção contra o PS, é contra o Governo e a política de direita», continuou, sublinhando que a maioria governamental já não tem «base social e política de apoio nem eleitoral».

Para Jerónimo de Sousa, «todos (os partidos da oposição) deviam» votar favoravelmente a moção de censura «com a consciência de que» se está a condenar a «política de direita».