O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, alertou este sábado contra os «vendedores de ilusões» e defendeu a relação de forças na Assembleia da República tem de ser alterada com o reforço da votação no PCP.

«Sabemos que não é tarefa fácil, também porque este também é um ano onde não faltarão os vendedores de ilusões, iminente que está a derrota política e social do atual governo e da sua maioria parlamentar», afirmou Jerónimo de Sousa durante um comício em Portimão, distrito de Faro.

As críticas sobre o cenário político nacional do secretário-geral do PCP não se limitaram às políticas do atual governo PSD/CDS mas também aos «vendedores de variantes» como os que «insinuando uma viragem à esquerda, como o faz agora o PS, nada de novo e substancialmente diferente apresentou» em respostas às políticas em vigor.

Jerónimo de Sousa defendeu a construção de um novo caminho para Portugal que implica a renegociação da dívida de acordo com os interesses nacionais, um estudo e preparação do país para a libertação do domínio do Euro, o fim das políticas de austeridade, uma política de investimento público, o reforço do poder de compra dos trabalhadores, o controlo público do setor financeiro, por via da nacionalização.

«Portugal precisa de virar a página», frisou junto dos militantes algarvios, a quem mostrou estar alerta para as dificuldades vividas na região tanto ao nível dos serviços de saúde como ao nível da precarização das condições de trabalho, especialmente no setor do turismo, ao mesmo tempo que o Governo «apregoa êxitos».

No que respeita ao turismo - o setor ‘motor’ da economia algarvia -, Jerónimo de Sousa apontou que o setor podia ter uma pujança diferente se não estivesse confrontado com as portagens da Via do Infante (A22), o agravamento do IVA na restauração, a privatização da ANA aeroportos ou a quebra no investimento público que tem atrasado obras importantes nos portos e na ferrovia.

O secretário-geral do PCP apontou ainda que apesar do governo falar em recuperação económica e de, a nível externo, existirem condições para a economia portuguesa prosperar, com a baixa do preço do petróleo, das taxas juro e da desvalorização do euro, o desemprego continua a crescer ao passo que as exportações e o volume de negócios na indústria e nos serviços abrandam.

O PCP, disse, vai continuar a apostar na angariação de novos militantes e a passar a mensagem de que é preciso ganhar força nas legislativas para fazer valer as propostas, as políticas e projetos do partido na Assembleia da República contra a exploração e a pobreza e a cada crescente concentração de riqueza.