O secretário-geral do PCP afirmou, em Alpiarça, que são “cada vez mais patentes” as contradições do Governo socialista, que se pauta por “orientações políticas de direita” nas questões “mais estruturantes” para o país.

Jerónimo de Sousa, que na sexta-feira à noite participou na apresentação dos cabeças de lista da CDU aos órgãos autárquicos de Alpiarça nas eleições de 1 de outubro, numa sessão que reuniu várias centenas de pessoas no largo dos “Águias”, afirmou que a resposta aos problemas dos portugueses “continua muito limitada” pelas opções do Governo socialista.

E isso é uma preocupação e uma inquietação que não podemos deixar de lamentar. As contradições estão cada vez mais patentes e têm reflexos cada vez mais evidentes nas decisões que se impunham para dar novos e mais decididos passos na reposição de rendimentos e direitos dos trabalhadores e das populações e para a concretização de novos avanços na solução dos problemas nacionais.”

Para Jerónimo de Sousa, cujo partido apoia o executivo socialista no parlamento, há ainda muito por fazer para “repor as condições de vida perdidas nos últimos anos”, por isso não se pode “mandar foguetes pelo que foi conseguido”.

O secretário-geral do PCP afirmou não poder haver dúvidas de que os direitos dos trabalhadores “são parte integrante de qualquer política de esquerda”, acusando o PS de andar “mal nesta matéria” ao “encostar-se ao PSD e ao CDS, desrespeitando assim o espírito e a letra da Constituição da República portuguesa”.

Jerónimo de Sousa lamentou que se “peça paciência a uns”, quando se trata “de direitos, de salários, de reformas, de quem trabalha”, mas “se ache natural que outros se apresentem a reclamar milhões de euros de salários, como é o caso dos gestores do PSI 20”, que receberam “cerca de 855 mil euros, em média, em 2016, cada um”.

O líder comunista exemplificou com o caso da EDP, que, “para lá das legítimas suspeitas de corrupção, que inevitavelmente a Justiça terá de investigar e julgar”, anda, “há anos, a sugar milhões” com os Custos de Manutenção de Equilíbrio Contratual (CMEC), uma “fraude” que o PCP “há muito tem denunciado e que só agora parece que alguns descobriram”.

Temos feitos nos últimos anos propostas legislativas para pôr em causa tais mecanismos, mas foram sempre chumbadas pelas forças que têm estado no Governo.”

Para Jerónimo de Sousa, esta situação “revela outra coisa, o falhanço total das entidades reguladoras e da Autoridade da Concorrência, que não regulam coisa nenhuma”.

Talvez seja o momento de tirar conclusões dos falhanços totais das entidades reguladoras, que não regulam coisa nenhuma, servem apenas para desresponsabilizar governos e dar cobertura aos interesses dos grupos económicos monopolistas."

O secretário-geral do PCP criticou ainda o Governo por “gorar expectativas justas” em matéria da precariedade ou em relação ao regime das reformas dos trabalhadores com longas carreiras contributivas ou ainda ao “atrasar a concretização de medidas concertadas, aprovadas no Orçamento do Estado” deste ano, como a redução do preço do gás da botija e a contratação de assistentes para as escolas.

Jerónimo de Sousa ironizou com os “comentadores da direita” que andam “preocupadíssimos: vejam lá – com o PCP”, porque “o PS está a por o PCP no bolso”.

Quem havia de dizer que tínhamos tantos amigos e não sabíamos”, disse, assegurando que o PCP, “mantendo toda a sua autonomia e independência, não virará as costas na procura de uma vida melhor para os trabalhadores e para o povo.”

Na sessão realizada na sexta-feira à noite, e que contou ainda com a presença do deputado do Partido Ecologista Os Verdes José Luís Ferreira e de um representante da Intervenção Democrática, José Marcelino, foi apresentada a recandidatura de Mário Pereira à Câmara Municipal de Alpiarça, de Fernando Louro à Assembleia Municipal e de Fernanda Cardigo à Assembleia de Freguesia.