O secretário-geral do PCP criticou os «discursos da hipocrisia» de alguns agentes políticos, apontando à intervenção do Presidente da República, Cavaco Silva, nas comemorações do 25 de abril.

«Vimos o limite do cinismo, quando ontem [sexta-feira] na Assembleia da República, o Presidente da República, que apoia a política deste Governo e que há uma semana disse para os portugueses se preparem porque vão ter austeridade até 2030 dizer agora que é preciso ter cuidado com as reformas e pensões e evitar injustiças», disse Jerónimo Sousa, este sábado, num almoço convívio em Vila do Conde, em que também participou o cabeça de lista da CDU às eleições europeias, João Ferreira.

«Devemos estar atentos a estes discursos da hipocrisia, porque o Presidente da República fá-los bem, tal como fazia S. Tomás que dizia: "olhem para o que ele diz e não para o que ele faz". Mas nós olhamos mais para aquilo que ele [Cavaco Silva] faz do para aquilo que ele diz», vincou o comunista.

Jerónimo de Sousa criticou ainda as referências do Presidente da República aos partidos do arco do poder.

«Com uma tese antidemocrática, Cavaco Silva diz que isto só vai lá com alternância democrática, e com o consenso dos partidos do arco do poder. Mas quem disse que há partidos que foram eleitos para sempre pelo povo português para o arco do poder?», questionou, garantindo que a CDU estará pronta para «assumir responsabilidades necessárias».

«Quer Cavaco Silva queira ou não, quando o povo português o entender, este partido assumirá todas as responsabilidade que o país exija», completou.

Numa intervenção que visou também o PSD, PS e CDS, Jerónimo de Sousa aludiu ao período de pré-campanha para as eleições europeias, para acusar: «Querem enganar os portugueses, tal como o fizerem em outras eleições, para ter votos e prosseguir a ofensiva aos nossos direitos».

«Até podem fazer uma pausa agora, mas sabemos que têm preparada, logo a seguir às eleições, uma nova ofensiva contra salários, pensões, reforma e serviços públicos», acrescentou.

O líder do PCP mostrou-se, igualmente, muito desconfiando com o final do período de assistência financeira internacional ao país.

«Sabemos que o período de intervenção vai terminar daqui a um mês, mas eles [troika] vão se embora levando a chave da cadeia da austeridade para onde este Governo nos empurrou, para, depois, de seis em seis meses nos virem visitar, tal como um prisoneiro, para ver se nos portamos bem», comparou Jerónimo de Sousa.

No mesmo timbre, interveio João Ferreira, cabeça de lista CDU às eleições europeias, mostrando iguais receios quanto ao final do período de ajuda externa, e frisando necessidade do país renegociar a sua dívida em todas as vertentes.

«Entre promessas que um dia os sacríficos terão um fim, o Governo anunciou novas medidas para o ano que vem, mas nem uma para dinamizar a economia. Todas são para cortar, despedir e roubar ainda mais», disse o candidato, acrescentando.

«Esta dívida insustentável terá de ser negociada o mais cedo possível. Negociar já para evitar o sufoco do país e dos portugueses. Renegociá-la nos seus prazos e juros, mas, sobretudo, nos seus montantes», sublinhou.

João Ferreira deixou, ainda, um alerta aos presentes neste almoço convívio em Vila do Conde, que juntou cerca de 600 pessoas: «Eles bem podem esbracejar, dar piruetas, distribuir sorrisos e beijinhos, e vão fazê-lo nas próximas semanas de campanha, mas a realidade é que PSD, CDS e PS são responsáveis pelo estado que o país chegou e são incapazes de o tirar desta situação. Só a CDU está em condições de inverter isto», concluiu.