O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou "urgente" que o Governo "assuma as suas responsabilidades em medidas excecionais" para apoiar as vítimas dos incêndios e defendeu o retorno dos guardas-florestais.

Numa visita à zona de Ramalho, em São Pedro da Cova, concelho de Gondomar, o líder dos comunistas considerou ser "prematuro fazer um balanço" sobre a época de incêndios florestais, mas vincou a necessidade de "fazer um levantamento da dimensão e do grau de destruição".

"A primeira e mais urgente medida passa por o Governo assumir as suas responsabilidades em medidas excecionais, tendo em conta que houve perda de vidas e destruição de casas. Hoje há animais que precisam de alimentação. São situações que exigem medidas imediatas para acudir a quem foi vitimado pelos incêndios", disse Jerónimo de Sousa.

O secretário-geral do PCP referiu que "a vida está a mostrar que foi um erro acabar com os guardas-florestais": "A GNR, por muito que se esforce, não consegue responder ao que era uma missão dos guardas-florestais. O PCP defende que deveria ser retomada essa especialidade no plano da prevenção", disse.

De acordo com a Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza, nos últimos 15 anos o número de efetivos nesta carreira foi reduzido em 50%.

Já sobre a arborização, Jerónimo de Sousa afirmou que "tem de haver um equilíbrio na plantação no país" porque "se está a abdicar da plantação de árvores tradicionais e o eucalipto está a atingir uma dimensão enorme".

"Consideramos fundamental o apoio aos bombeiros. Não podemos esquecer que muitas corporações viram os seus efetivos reduzirem-se devido à emigração. É preciso reforço das equipas", afirmou, garantindo que o grupo parlamentar comunista vai "manter este tema na ordem do dia" na Assembleia da República.

Jerónimo de Sousa também afirmou que "muitos dos incêndios em Portugal são fruto do processo de desertificação", enumerando que "as produções agrícolas baixaram" e "muitas explorações familiares foram levadas à ruína".

"O abandono das terras leva à desresponsabilização", concluiu, defendendo ainda o ordenamento e a limpeza da floresta, vincando que se deve saber qual o destino do mato que se limpa.

Jerónimo de Sousa visitou um dos locais de Gondomar, distrito do Porto, que mais sofreram com os incêndios que lavraram ao longo de sete dias, na segunda semana de agosto.

No concelho foram fustigadas zonas como Melres, São Pedro da Cova, Jovim, Valbom e Foz do Sousa.

O presidente da câmara de Gondomar, Marco Martins, apontou a 11 de agosto, aquando da visita da ministra da Administração Interna, que os incêndios consumiram uma área de 1.431 hectares no município.

Jerónimo de Sousa referiu hoje que a "zona tem um valor intrínseco" e recordou que "até há quem considere que pode ser o pulmão do Porto", lamentando assim que "ciclicamente aconteçam fogos" que podem "levar à análise sobre se a zona deve ser transformada em área protegida".

Já o BE pediu a convocação da Comissão Permanente da Assembleia Legislativa da Madeira para obter explicações do Governo Regional sobre "o que correu mal no combate aos incêndios" e que medidas serão tomadas para prevenir futuros acidentes.

“O Grupo Parlamentar do BE requereu, nesta sexta-feira, ao presidente do parlamento madeirense, a convocação de uma reunião da Comissão Permanente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, com a presença do Governo Regional”, indica um comunicado do Bloco de Esquerda da Madeira hoje divulgado.

O BE quer saber “porque é que não foi pedida ajuda mais cedo para o combate aos fogos”.

“Que informação foi dada ao presidente do Governo, por parte da Proteção Civil, que o levou a afirmar que havia um certo controlo do incêndio pouco tempo antes de as chamas chegarem ao centro do Funchal?”, questionam os bloquistas.

O Bloco pergunta ainda ao Governo Regional da Madeira “qual o ponto da situação acerca do alojamento das pessoas desalojadas” e “que apoios financeiros já chegaram efetivamente à região, de onde vieram e se esses apoios financeiros já começaram a chegar às pessoas”.

“Em termos de prevenção de futuros incêndios, qual o plano do Governo Regional para garantir maior segurança de pessoas e bens?”, questionam.

O requerimento insta o Governo Regional a esclarecer ainda que medidas concretas estão a ser desenvolvidas “para prevenir futuros acidentes aquando da chegada das primeiras chuvas” e “se está prevista a elaboração de um Orçamento Retificativo”.

“É necessário desenvolver todos os esforços, em conjunto com as autarquias e outras entidades, para prevenir acidentes decorrentes do escorregamento de terras e outros materiais inertes, pelas encostas abaixo, aquando das primeiras chuvas”, defendem.

Os incêndios que fustigaram a ilha da Madeira na semana passada afetaram sobretudo o concelho do Funchal, onde fizeram três mortos e um ferido grave, centenas de desalojados e deslocados, bem como prejuízos em bens públicos e privados avaliados pela câmara municipal em cerca de 61 milhões de euros.

O presidente do Governo da Madeira, Miguel Albuquerque, tem rejeitado acusações de atrasos no pedido de reforço de meios para as operações.

Em causa estão as declarações do governante no dia 9 à tarde, referindo que a situação estava “perfeitamente controlada”, e o pedido de reforços de fora da ilha pouco tempo depois.

Miguel Albuquerque informou entretanto que a situação às 16:00 era de “controlo do fogo a montante”, cenário que se alterou quando se detetou, “pelas 16:20/16:30, uma inversão do vento”.

Foi nessa noite que o fogo, que deflagrou em zona de serra, chegou à baixa da cidade do Funchal.