O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, disse esta sexta-feira, em Coimbra, que a «ideia de pós-troika é apenas uma frase publicitária», pois «a política de austeridade» vai continuar.

«Essa ideia de pós-troika é apenas uma frase publicitária porque, como sabemos», as atuais «políticas vão continuar» e, portanto, «não há fim nenhum, isto só terá fim com o fim deste Governo, portanto, com uma política diferente», sustentou o líder comunista, citado pela Lusa.

«Aliás o próprio FMI [Fundo Monetário Internacional] e a União Europeia» já disseram que «é preciso continuar o rigor, é preciso continuar a alterar a legislação laboral, é preciso continuar a política de austeridade e, nesse sentido, não há fim nenhum», afirmou Jerónimo de Sousa, que falava aos jornalistas, em Coimbra, ao final da tarde, à margem de uma ação de «contacto com a população e comerciantes» da Baixa da cidade.

A 12ª avaliação da troika, «ao contrário do que o senhor ministro Paulo Portas» afirma não é «o fim do protetorado», defendeu.

Para Jerónimo de Sousa, Portugal não terá uma «saída sem rede» do programa de assistência económica e financeira.

«Chamem-lhe [saída] cautelar, limpa ou à irlandesa, chamem-lhe o que quiserem», disse Jerónimo de Sousa. O secretário-geral do PCP frisou que «o próprio tratado orçamental a que o PS, o PSD e o CDS vincularam o nosso país comporta em si mesmo a alienação de parcelas da nossa soberania, designadamente no plano económico e no plano social».

No essencial, «a política económica e a política social» vão continuar, «como, aliás, está referido no documento de estratégia orçamental (DEO)», no qual «está claramente aquilo que aparentemente era provisório, temporário, e para este Governo passou a definitivo», em relação às reformas, às pensões, aos cortes salariais e «ao que mais se verá».

«Nós temos uma profunda inquietação» também relativamente à «questão dos serviços públicos, no plano da educação, no plano da saúde», que serão sujeitos a uma «brutalidade de cortes», que o Governo «por enquanto ainda não especifica», nem diz «onde vão ser aplicados», frisou o secretário-geral do PCP.

«Sabemos que vem aí mais pancada» e «é nesse sentido que consideramos que isso de período pós-troika não existe», sublinhou.

Ao fim destes três anos de presença da troika em Portugal, «é evidente que alguém teve sucesso: o capital financeiro e os grandes grupos económicos», salientou Jerónimo de Sousa. O líder comunista considerou que durante este período foi praticada uma «política de terra queimada», que fez com que o país esteja «mais empobrecido, com mais exploração e com mais injustiça».

Portugal continua a ter «uma dívida insustentável e impagável», não «venham apresentar isso como um sucesso», apelou Jerónimo de Sousa.

O secretário-geral do PCP participa esta sexta-feira à noite num jantar-comício em Soure.