“Hoje cumpre-se um importante passo e milhões de portugueses respirarão de alívio.” Foi assim que Jerónimo de Sousa começou a sua intervenção no encerramento do debate sobre o programa do Governo no parlamento, esta terça-feira. Antes de serem votadas as moções de rejeição ao programa da direita, o líder do PCP sublinhou que os comunistas, em conjunto com o PS e o BE, criaram "condições institucionais e políticas" para "outra solução governativa". O discurso mereceu aplausos das bancadas do PS e do BE. 

"Estão criadas condições institucionais e políticas para outra solução governativa. Existe na Assembleia da República uma base institucional que permitirá ir tão longe quanto for a disposição de cada força política que a compõe para suportar o caminho da reposição dos salários e dos rendimentos."


Uma solução governativa que os comunistas entendem ser necessária para "travar o caminho de degradação" percorrido pela direita. "É este o nosso compromisso. Uma política alicerçada nos valores de abril", sublinhou. Jerónimo de Sousa defendeu que este é o tempo "de construção de um futuro melhor".

"O tempo não é de expetativa, é de ação, de construção de um futuro melhor."


O líder do PCP considerou que PSD e CDS conduziram o país a uma situação de retrocesso social "nunca vista depois do 25 de abril" que afetou todos os portugueses: trabalhadores, pensionistas, desempregados, famílias. E apontou problemas na economia, na saúde, na educação. Falou do aumento da pobreza, das desigualdades sociais, da crise demográfica para destacar o estado de indignação dos portugueses.  "Todos sentiram não compreensão, mas indignação", vincou.

"Chantagearam os portugueses com o medo e instrumentalizaram os aparelhos do Estado. Mantiveram escondida a sua agenda e programas políticos. Governo deixa enorme rastro de destruição."


Antes de Jerónimo de Sousa, José Luís Ferreira, do PEV, considerou que a aliança à esquerda vai permitir quebrar o ciclo de políticas de direita "que alargaram o fosso entre ricos e pobres, que agravaram os problemas sociais e que colocaram muitos portugueses a pão e água". 

O deputado foi mais longe, sublinhando que o atual momento político mostra a "democracia a funcionar" e procura ir de encontro à vontade dos portugueses.

"É a democracia a funcionar, quer se goste quer não se goste. Seria irresponsável não atender a este novo quadro parlamentar."