O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP) disse esta sexta-feira que a participação do líder nacional do PSD, Pedro Passos Coelho, na campanha das eleições madeirenses seria um «grande estorvo e um grande incómodo» para os sociais-democratas desta região.

«A presença de Passos Coelho era um grande estorvo, um grande incómodo e esta foi a razão objetiva porque não veio» à Madeira durante a campanha das eleições regionais do próximo domingo, afirmou Jerónimo de Sousa no decorrer de uma arruada que a candidatura da CDU efetuou na baixa do Funchal.

Segundo o dirigente comunista, que é o único líder nacional que se deslocou duas vezes à Madeira em campanha eleitoral, tendo marcado presença no arranque e hoje, no encerramento, a ausência do também primeiro-ministro português acontece porque Passos Coelho «teria dificuldades em explicar ao povo madeirense as razões desta dupla penalização que resultou do pacto de agressão para a região».

O responsável do PCP adiantou que o candidato do PSD/Madeira, Miguel Albuquerque, «também teria grandes dificuldades em mostrar Passos Coelho ao povo da região da Madeira, ele que diz que quer a mudança, quer a renovação».

Jerónimo de Sousa sublinhou que estar mais uma vez na Madeira em campanha «é mais do que uma presença solidária», argumentando que esta força política tem «uma só cara, uma só palavra, com a mesma posição na Assembleia da República e na Assembleia Legislativa da Madeira, com uma política de verdade».

O dirigente do PCP referiu ainda que o «problema [do partido] com Alberto João Jardim [que teceu duras criticas aos comunistas] não eram as suas "bocarras", era a política de direita que realizava».

Para Jerónimo de Sousa, a questão agora é «saber se mudam os atores e também a política» na Madeira com a sua saída, declarando: «Temos dúvidas em relação a essa matéria».

Na sua opinião, «uma mudança de caras não é suficiente», pois esta «região precisa de outra coisa, precisa de mudança de política no sentido de mais solidariedade social, mais desenvolvimento económico, mais crescimento, melhor repartição da riqueza e essa é a grande questão que está colocada».

O líder comunista recorreu ainda a um ditado popular - «não se pode querer sol na eira e chuva no nabal» – para criticar aqueles partidos que assumem posições diferentes nos assuntos, dependendo do facto de estar a ser tratado em Lisboa ou na região.

«Com o reforço, o aumento da sua [CDU] representação são mais vozes amigas também na assembleia regional», concluiu.

Na arruada de encerramento da campanha eleitoral da CDU, os ativistas desta força política concentraram-se na porta do mercado do Funchal, percorreram uma das principais ruas comerciais da cidade, a Fernão de Ornelas, passaram na Sé e terminaram o percurso no topo da João Tavira.

Jerónimo de Sousa e o cabeça de lista, Edgar Silva, acompanhados pela deputada de Os Verdes Manuela Cunha e por dezenas de apoiantes ofereceram cravos vermelhos, um dos quais a uma florista na zona da Sé, e cumprimentaram os populares e os comerciantes.

Às eleições legislativas antecipadas na Madeira, que foram convocadas pelo Presidente da República para o próximo domingo, concorrem 11 forças políticas, sendo oito partidos (PSD, CDS, JPP, BE, PND, PCTP/MRPP, PNR e MAS) e três coligações - Mudança (PS/PTP/MPT/PAN), CDU (PCP/PEV) e Plataforma de Cidadãos ‘Nós Conseguimos' (PPM/PDA).