O candidato comunista à Presidência da República Edgar Silva disse esta quarta-feira que, se fosse chefe de Estado, agiria em conformidade com a Constituição da República e com as maiorias na assembleia da República e nomearia António Costa primeiro-ministro.

"Era isso que faria, naturalmente na decorrência da Constituição", sublinhou Edgar Silva, no auditório da Universidade da Madeira, no Funchal, após ter apresentado a sua candidatura à Presidência da República.

O candidato referiu que, em primeiro lugar, ouvia os partidos com assento na Assembleia da República e, com base nessa auscultação, "procederia em conformidade com aquelas que fossem as maiorias estáveis e sustentáveis e, neste caso, se há uma proposta concreta que garante uma maioria sustentável, é essa a solução".

Edgar Silva considerou não competir ao Presidente da República, Cavaco Silva, "reconhecer quem ganhou as eleições".

"Não é disso que se trata, não há eleição para primeiro-ministro, há uma eleição de deputados à Assembleia da República e, no quadro dos deputados eleitos à Assembleia da República, só terão soluções de Governo estáveis, aquelas que garantam uma maioria sustentável", argumentou.

Por isso, Edgar Silva considerou que "o Presidente da República cometeu um ato que corresponde a um ato inconstitucional, de base inaceitável, um erro que corresponde a uma distorção política grave, porque se tornou, em primeiro lugar, um fator de instabilidade, gerador de instabilidades políticas com consequências a vários níveis no plano económico e social para todo o país".

Edgar Silva apresentou, a uma plateia que enchia o auditório da Reitoria da Universidade e onde pontificavam o vice-presidente do PS insular, Thomas Dellinger, o ex-líder do PS João Carlos Gouveia, o ex-deputado do PND Gil Canha, o dirigente do MPT Roberto Vieira e o vereador da coligação "Mudança" na Câmara Municipal do Funchal, Domingos Rodrigues, as principais linhas programáticas da sua candidatura, salientando que, "como Presidente da República", será o "garante da solidariedade do Estado para com as regiões autónomas".

O candidato prometeu ainda que será um defensor da Constituição da República portuguesa: "ao contrário de outros, que falam da Constituição e dizem até conhecê-la da frente para trás, sem todavia se comprometer com a sua defesa, como candidato ou como Presidente da República defenderei, intransigentemente, os ideais libertadores de abril, a Constituição da República e o regime democrático que ela consagra e projeta".