O candidato presidencial apoiado pelo PCP, Edgar Silva, acusou hoje, na Lousã, Marcelo Rebelo de Sousa de propaganda primária na corrida a Belém, para "demonstrar o que não é e esconder quem é".

"Existe uma preocupação em se mostrar anti-Cavaco Silva, como se não fosse conselheiro de Estado e da sua confiança total, que se apresenta ao eleitorado como seu natural sucessor, mas querendo-se mostrar quase mais esquerdista do que os que são de esquerda, mais opositor, ele que sempre esteve completamente comprometido", disse Edgar Silva.


Falando à margem de uma reunião com movimentos de defesa do Ramal ferroviário da Lousã, no distrito de Coimbra, desativado há cerca de seis anos, o candidato comentava assim a entrevista exclusiva à SIC de Marcelo Rebelo de Sousa, outro dos candidatos presidenciais nas eleições marcadas para 24 de janeiro de 2016.

Segundo Edgar Silva, o afastamento da matriz de Marcelo Rebelo de Sousa "não se faz sentir só nas críticas a Cavaco Silva, mas também no esforço para demonstrar que vai assumir as funções como quem será capaz de criar consensos e prevenir crises, ele que sempre foi conspirador, utilizou a maledicência e a arma da intriga para derrubar tudo e todos e se sobrepor".
 

"Há toda uma operação de propaganda e um esforço de cosmética para tentar apagar a memória coletiva e fazer esquecer que foi presidente do PSD, um dos seus mais altos responsáveis, com vários cargos, completamente comprometido com o partido, que sempre esteve ligado a tudo o que de pior nas políticas de direita foram impostas a Portugal", sublinhou.


Salientando que "este é um tempo estranho, em que não se olham a meios para se demonstrar o que não é e para esconder aquilo que é", o candidato comunista disse ainda que o seu opositor "sempre esteve e está umbilicalmente ligado a todas as políticas que PSD e CDS impuseram de destruição e empobrecimento, contra o interesse nacional".

Após uma reunião informal com cerca de duas dezenas de apoiantes e elementos de movimentos que exigem a reposição do comboio no Ramal da Lousã, após a desativação da linha ferroviária em 2010, Edgar Silva considerou que se trata de uma "luta justíssima".
 

"Há aqui um movimento que já vem de longe para a defesa do comboio, para que possam ser recuperados direitos que foram usurpados e aqui são direitos que têm a ver com um serviço público que tem de ser garantido à população, mas com uma exigência de modernização, de um melhor serviço que tem de ser garantido às populações", disse o candidato presidencial apoiado pelo PCP.


A Linha da Lousã, que funcionava desde 1906 foi encerrada em janeiro de 2010 para permitir obras que permitissem a instalação de um sistema de transporte mais moderno e cómodo, no âmbito do projeto Metro Mondego, que previa também uma linha dentro da cidade de Coimbra, mas os trabalhos foram interrompidos no ano seguinte e assim se mantêm.