É uma segunda vida. Ou um segundo fôlego. Os últimos debates televisivos, que deixaram marcas em Marcelo Rebelo de Sousa, dão ânimo à campanha comunista que, neste sábado, passou o dia em "território-amigo". No Feijó, concelho de Almada, com duas dezenas de apoiantes, S. Pedro deu tréguas no mau tempo que se abateu no país, e Edgar Silva sai à rua para falar com todos os que passam no caminho. Fala com todos, entra em cada café, pede licença para entregar um panfleto, apela ao voto, com a banda sonora dos militantes em "loop": "Edgar avança, com toda a confiança! Edgar avança, com toda a confiança!".

E confiança não falta ao candidato. Entrega cravos por Abril, agiganta o perigo de deixar para a segunda volta o que é "urgente" fazer agora: "Porque a vida não se adia!", diz aos jornalistas, à saída do mercado do Feijó, a propósito do apelo ao eleitorado para que vá votar no dia 24. "Já não é a primeira vez que se deitam foguetes antes da festa e depois alguém se vê na contingência de ter de ir apanhar as canas". Para Edgar Silva, "nada está decidido", independentemente das sondagens. 

"Em democracia não há vitórias antecipadas, está tudo em aberto. Os resultados conquistam-se, constroem-se, e nós estamos no terreno para construir e conquistar o nosso eleitorado". E constroem-se no terreno: é o que promete fazer o candidato comunista na campanha oficial que começa este domingo no Palácio de Cristal, no Porto, com a presença de Jerónimo de Sousa. 

É a missão desta "reencarnação" de Edgar Silva: impedir que Marcelo Rebelo de Sousa chegue a Belém para que a direita não faça da Presidência da República um "ajuste de contas" pela queda do governo PSD-CDS. Digo "reencarnação" porque o próprio assim fala da anterior vida: a do sacerdócio. "O senhor já foi padre!", diz uma escuteira, que tira uma selfie com o candidatos e as amigas. "Mas isso foi noutra reencarnação", diz, sorridente, para a selfie.