O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou este sábado no Seixal que é «urgente romper com a trajetória de retrocesso e declínio nacional», que atribuiu às políticas de direita do Governo PSD/CDS.

«Romper com esta trajetória de retrocesso e declínio nacional, derrotar este Governo PSD/CDS com a luta e com o voto, é a grande tarefa que se apresenta para o futuro imediato, a todos os que não se conformam com o rumo de descalabro económico e social nacional que está em curso», afirmou, citado pela Lusa.

«Mas sabemos que não basta. É apenas o primeiro passo para abrir caminho a outro rumo para o País. A solução dos problemas exige um segundo passo, a rotura com a política de direita», defendeu o líder comunista, na apresentação pública da Quinta do Cabo, um novo espaço adquirido pelo PCP junto à Quinta da Atalaia, onde se realiza a Festa do Avante.

As críticas do dirigente comunista ao Governo foram da área da justiça, pela situação que se vive nos tribunais devido ao colapso do programa informático Citius, à degradação do Serviço Nacional de Saúde e também ao setor da educação, com muitas críticas aos problemas na colocação de professores.

«O ministro em vez de corrigir o erro agravou-o, com professores colocados que já estavam a dar aulas, sujeitos a serem despedidos. E, o sacudir da água do capote do ministro, a atirar o odioso para os diretores [das escolas] que têm, de fazer as escolhas dolorosas. São casos a mais. Não há ponta por onde se pegue a este governo», disse.

«É evidente que o ministro da Educação só tinha uma solução: a demissão. Mas o PCP não reivindica que se façam demissões à peça. A grande solução é demitir o Governo todo e permitir que o povo se pronuncie numa outra escolha», defendeu o líder do PCP.

O Partido Socialista também não escapou às críticas de Jerónimo de Sousa, que não vê sinais de que o maior partido da oposição esteja disponível para fazer as mudanças políticas que considera fundamentais para a recuperação económica do país, como também não gostou da «americanização» das primárias para a escolha do candidato socialista a primeiro-ministro.

«Foi um exemplo acabado de práticas pouco limpas, de arregimentação de apoios, e mobilização nada inocente de interesses e de ambições instaladas, tal como o país que há muito tempo viu nascer tal modelo, os Estados Unidos, e que ainda hoje mantém a mais avassaladora taxa de abstenção. Não queremos esse exemplo de participação que o PS foi encontrar com essa americanização», disse, depois de lembrar que a escolha de candidato a primeiro-ministro nem sequer tem enquadramento constitucional.

No discurso de 30 minutos na cerimónia que assinalou a aquisição da Quinta do Cabo, perante cerca de dois mil militantes que se deslocaram à Quinta da Atalaia, Jerónimo de Sousa lembrou que se tratava do único espaço natural para o alargamento da Festa do Avante, acrescentando que a aquisição do imóvel era a concretização de uma aspiração com 25 anos.

«Não podíamos desperdiçar a oportunidade. Não podíamos correr riscos de perder praticamente a única alternativa verdadeiramente existente. Não escolhemos o momento, a decisão é arrojada, mas estamos confiantes de que vamos conseguir o nosso objetivo», acrescentou Jerónimo de Sousa, que anunciou também o lançamento de uma campanha de fundos que se deverá prolongar até 2016.