O PS disse, esta quinta-feira, que à colocação de dívida portuguesa de hoje junta-se um Governo que «não fez esquecer aos portugueses que os sacrifícios continuam», aprovando um «novo e forte» pacote de austeridade.

Dirigido a «funcionários públicos e pensionistas», este referido pacote aprovado em Conselho de Ministros, declarou o deputado do PS Pedro Marques, aproveita o contexto favorável dos mercados internacionais mas «não faz esquecer» que o problema de base em Portugal «é da política» de austeridade e recessão do Governo.

O socialista falava no parlamento no dia em que o IGCP confirmou a emissão de 3,25 mil milhões de euros em dívida com maturidade a cinco anos e pela qual o Estado vai pagar um juro de 4,657%.

Registando «favoravelmente» a manutenção dos níveis regulares do financiamento do Estado, Pedro Marques alerta contudo para as taxas de juro da operação, «demasiado elevadas, próximas dos 5%, e mesmo acima dos valores registados nos últimos dias no mercado secundário».

Tais valores estão portanto, diz o PS, longe da «regularização do financiamento» da dívida pública portuguesa «com condições normais de sustentabilidade no longo prazo».

O PCP considerou natural os mercados financeiros receberem bem a emissão de dívida pública portuguesa, mas sublinhou que os juros de 4,6 por cento são incomportáveis e voltou a exigir a renegociação, incluindo montantes e prazos.

«É muito significativo que esta operação decorra no mesmo dia em que o Conselho de Ministros aprovou mais um pacote de medidas dirigido contra os reformados, pensionistas e trabalhadores da Função Pública», declarou o deputado comunista Paulo Sá, nos Passos Perdidos do Parlamento.

«Obviamente, os mercados, o grande capital, a banca, os especuladores aplaudem esta política do Governo, de empobrecimento dos portugueses, de redução dos salários, das pensões, de ataque às funções sociais do Estado, e aderem a estas operações», continuou o parlamentar do PCP.

As condições anunciadas aos operadores não davam tamanho indicativo para quanto Portugal pretendia arrecadar com a operação, mas indicavam uma taxa de juro de 340 pontos base acima da taxa base do mercado para a dívida a cinco anos.

«O juro desta emissão de dívida é de cerca de 4,6 por cento e acho que é uma evidência que é incomportável para a economia portuguesa. Uma economia que cresça, mesmo nas previsões do Governo, a 0,8 por cento, não pode sustentar juros de dívida na ordem dos 4,6 por cento», disse, acrescentando que só «resta renegociar nos montantes, juros e prazos», tal como os comunistas propuseram «em abril de 2011».

O Bloco de Esquerda (BE) entende que a operação de dívida hoje tida por Portugal representa um «bom negócio para a banca internacional» e não representa qualquer melhoria das condições de vida e trabalho dos portugueses.

«Este continua a ser um bom negócio para a banca privada internacional, que pede dinheiro emprestado a 0% junto da banca central e depois vem emprestar a Portugal perto dos 5%», disse a deputada bloquista Mariana Mortágua em declarações aos jornalistas no parlamento.

Para o BE, a banca internacional que se financia a juros «muito perto dos 0%» junto do Banco Central Europeu (BCE) aplaude a operação pois continua a lucrar com a dívida portuguesa, ao passo que a situação do país não tem melhorias desde o arranque do programa de ajustamento, 2011, e os dias de hoje.

«Temos mais desemprego, mais falências, há mais desigualdades salariais, há mais pobreza no país. Não é verdade que o país esteja hoje numa melhor situação económica do que estava há três anos», considerou Mariana Mortágua.