O PCP acusou esta quinta-feira o Governo de «condenar os portugueses à morte antecipada» com cortes no Serviço Nacional de Saúde e a redução de 900 camas, enquanto a maioria criticou que «se faça chicana política» com a saúde.

Numa declaração política no parlamento, a deputada comunista Carla Cruz fez um retrato negro da atual situação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e particularmente das urgências, tendo sido acompanhada por PS, BE e PEV nas críticas ao ministério tutelado por Paulo Macedo.

«A rutura dos serviços de urgência é resultado da política de redução de profissionais e condições materiais para dar resposta às necessidades, do encerramento de serviços de proximidade e degradação dos serviços de urgência», afirmou.

A deputada do PCP referiu que «nestes quatro anos foram reduzidas mais de 900 camas no SNS», uma medida que «foi um erro», tanto que «algumas estão agora a ser reabertas».

«A rutura dos serviços de urgência aí está a confirmar que temos razão quando acusamos o Governo de condenar os portugueses à morte antecipada», disse.

Carla Cruz disse saber de vários serviços de saúde com ordem de encerramento, contradizendo declarações do ministro da Saúde, e criticou a maioria PSD/CDS por «perante o desastre que está criado» tentarem «fugir às responsabilidades» e impedir que Paulo Macedo preste contas.

Neste contexto, a parlamentar comunista adiantou que, além do agendamento potestativo para ouvir o governante, o PCP vai promover no dia 30 uma audição pública na Assembleia da República sobre defesa do SNS.

O deputado social-democrata e líder da JSD, Simão Ribeiro, reagiu com indignação e apresentando números diferentes: «Tem a coragem e a lata de dizer que há algum doente em situação urgente que deixou de ser atendido? Esta maioria e esta bancada não faz chicana política com a saúde dos portugueses».

«Em 2011 o nosso país era um comboio desgovernado e atulhado em dívida, só no SNS a maioria encontrou três mil milhões em dívidas a fornecedores e pagou já mais de dois mil milhões de euros, recapitalizou os hospitais e reforçou meios e técnicos», afirmou, referindo que há «mais 2200 médicos do que em 2011 e mais mil camas nos hospitais do SNS» e pedindo a distribuição de um documento dos serviços da administração central de Saúde.

Da bancada do CDS, a deputada Teresa Caeiro acusou o PCP de «cavalgar a onda dos dramas humanos para fazer política partidária» e de pretender apropriar-se da defesa do SNS.

«Os senhores de facto têm uma cassete única que repetem "ad nauseam" utilizando sempre os mesmo clichés, acabam sempre a falar dos grandes grupos económicos a propósito de tudo e de nada, vaticinam o fim do SNS há 35 anos mas ele continua e com indicadores sempre melhores», atirou.

Já a deputada do PS Luísa Salgueiro considerou que os problemas nos serviços de urgência estão a «desmascarar o falso prestígio de Paulo Macedo», que «muito preocupado com a sua imagem conseguiu indo disfarçar o efeito dos cortes que foi produzindo».

A socialista defendeu a ação dos governos socialistas na saúde e afirmou que atualmente os utentes «dirigem-se logo à urgência porque não há retaguarda» e «as camas de convalescença estão a ser encerradas»: «De 2006 a 2011 abriram 300 unidades de saúde familiar e os senhores [Governo PSD/CDS] abriram 90».

Helena Pinto, do BE, disse que as opções do Ministério da Saúde estão a pôr em causa «ganhos em saúde construídos ao longo de décadas por profissionais dedicados».

«Existe uma geração de pessoas que nunca pensou vir a assistir à situação que temos visto nos serviços de saúde. É exatamente porque temos memória que nunca pensamos que quatro décadas depois do 25 de Abril e da criação do SNS se assistisse à triste situação dos hospitais e serviços de urgência, temos memória e não queremos voltar atrás», criticou, dirigindo-se à bancada do PSD.