O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou este sábado que o CDS-PP apresenta “ar de anjinho”, na sequência do chumbo, pela maioria de esquerda, da resolução dos centristas de rejeição dos programas de Estabilidade e de Reformas.

"Vem agora com ar de anjinho propor a rejeição do Programa de Estabilidade, que é filho do semestre europeu e que o CDS subscreveu. Deixa cair a máscara, porque, na tal resolução, associava e propunha que todas as mal feitorias feitas durante quatro anos fossem restauradas e intensificadas. Não queria mais nada, o CDS. O nosso partido fez bem em derrotar tal intenção”, disse.

Jerónimo de Sousa, que falava em Avis, no distrito de Portalegre, na sessão de encerramento do 15º Encontro Regional de Quadros do Alentejo do PCP, recordou que o CDS-PP é “corresponsável”, no anterior Governo, e que os centristas têm “a sua assinatura no pacto de agressão”, que conduziu a “imposições” e “constrangimentos” no país.

“Deixa cair a máscara porque, na tal resolução, associava e propunha que todas as mal feitorias feitas durante quatro anos fossem restauradas e intensificadas”, alertou.

Jerónimo de Sousa que acusou ainda o CDS-PP de “falsidade” e de aplicar “golpes de ilusionismo político”, em todo este processo.

“A intriga e a chicana política montada pelo CDS, a pretexto da recusa do PCP de aprovação de um seu projeto de resolução sobre os ditos programas, são dignas de registo”, disse.

“É conhecida a recusa e a denúncia do PCP acerca destes programas, que são impostos pela União Europeia para aplicar uma política que todos conhecem, e sentem que, nos últimos anos, conduziu ao aumento da crise”, acrescentou.

O PSD também não foi esquecido pelo líder dos comunistas, tendo acusado o partido de Pedro Passos Coelho de ter entrado nos últimos dias em “manobra e intriga”, em redor dos programas de estabilidade e reformas, e nas questões relacionadas com as previsões do défice.

“Nestes últimos dias, foram a manobra e intriga do PSD e do CDS, à volta do programa nacional de reformas e com o programa de estabilidade e, agora, já ensaiam uma nova guerra à volta de umas décimas das previsões do défice, para justificarem novas medidas de exploração e de empobrecimento”, afirmou.

Jerónimo de Sousa fez questão de sublinhar na sua intervenção que o Programa Nacional de Reformas e o Programa de Estabilidade em curso “são da responsabilidade do Governo” e que o PCP “não os aprovou”.

No seu discurso, o secretário-geral do PCP anunciou ainda que o partido vai apresentar, na segunda-feira, um projeto-lei na Assembleia da República, para a reposição das freguesias.

“Vamos concretizar rapidamente uma iniciativa legislativa, para devolver as freguesias às populações”, disse.