O PCP Madeira anunciou, esta sexta-feira, que vai apresentar uma moção de censura ao Governo Regional de Miguel Albuquerque, porque "depois da promessa de mudança, na Madeira a realidade é já pantanosa, tal a quantidade de demissões, de contradições, de desorientações". 

Edgar Silva justifica a decisão da bancada comunista, anunciando que "está na hora de exigir uma alternativa política". 

Estas afirmações foram feitas num post na página de Facebook do antigo candidato à presidência da República, ilustrado com uma fotografia de um caracol no circo. 

 

“O PCP apresentará a moção de censura para dar voz ao descontentamento cada vez mais generalizado da sociedade. A Saúde foi o ponto de partida”, afirmou entretanto a deputada comunista Silvia Vasconcelos em conferência de imprensa.

“As novas convulsões na Saúde e as mais recentes demissões no setor assumem um alcance político e um especial significado que não podem ser abafados, nem minimizados”, refere o texto da moção de censura do PCP da Madeira.

Na quinta-feira, na sequência da demissão da direção clínica do hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal, o presidente do executivo madeirense, Miguel Albuquerque, anunciou, após a reunião do Conselho do Governo Regional, a nomeação de uma nova presidente do Conselho de Administração do Serviço Regional de Saúde, Maria João Monte para substituir Ligia Correia.

O chefe do executivo madeirense atribuiu, no entanto, a demissão da direção clínica do Serviço Regional de Saúde da Região Autónoma da Madeira (SESARAM) à falta de diálogo entre os organismos que gerem o setor e não à alegada falta de fármacos, de condições de trabalho, de pessoal e de equipamentos.

"Neste momento, as políticas [de saúde] não estão em causa, mas é evidente que ainda temos restrições financeiras e é preciso aplicar muito bem o dinheiro", afirmou Miguel Albuquerque, vincando que o governo aposta na racionalização dos gastos públicos e na existência de um diálogo entre o Instituto de Administração de Saúde e Assuntos Sociais (IASAUDE), o SESARAM e a direção clínica.

O PCP da Madeira considera que “mais do que uma questão de saúde” na região, “há um problema de governação”, no arquipélago, acrescentando que “o descontentamento público de agora não corresponde a um problema setorial, é um problema de política regional”.

De acordo com o grupo parlamentar do PCP na Assembleia Legislativa da Madeira, “em vez de pacificação do setor da Saúde [na Madeira], hoje há o desnorte, o descrédito, a confusão, quando faltam medicamentos quando se agravam os problemas no acesso aos cuidados de saúde, quando cresce o descontentamento popular face ao desgoverno, quando alastra o desagrado de diversos setores socioprofissionais”.

“A moção de censura poderá não derrubar o Governo Regional. Mas, certamente constituirá a mais forte ocasião para a denúncia do desgoverno atual e para a exigência de uma alternativa política”, disse o deputado comunista madeirense Ricardo Lume lendo o texto do documento que será entregue na segunda-feira no parlamento insular.

A deputada Silvia Vasconcelos, que pertence à Comissão Parlamentar da Saúde, salientou ainda ter visitado e contactado várias estruturas neste setor, sendo constantes as queixas pela falta de meios e outros equipamentos, insistindo não ser “um problema de pessoas, mas de polícias”, pois considerou que, muitas vezes, os profissionais “tem feito omeletes com muito poucos ovos”.