O PCP considera que os dados da execução orçamental agora conhecidos, que apontam para o cumprimento do limite trimestral para o défice orçamental definido no programa de resgate, são «o retrato da miséria do país».

«Efetivamente foram feitas poupanças, que o Governo se orgulha muito, mas são feitas poupanças à custa por exemplo da degradação do Serviço Nacional, da escola pública, do alastramento de manchas de miséria e pobreza pelo país. O que pode haver de positivo nisto ? Nada», afirmou o deputado do PCP Paulo Sá, em declarações aos jornalistas no parlamento.

De acordo com um comunicado do Ministério das Finanças, que cita números da síntese da execução orçamental de março, que será ainda hoje publicada pela Direção-Geral do Orçamento, o défice das administrações públicas foi de 825 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, o que significa que foi cumprido o limite trimestral para o défice orçamental definido no programa de resgate.

Até março, o défice provisório das administrações públicas atingiu os 825 milhões de euros, o que significa que ficou «845 milhões de euros abaixo do limite», um resultado que representa «uma melhoria de cerca de 525 milhões de euros face a igual período de 2013», segundo o comunicado da tutela.

«Estes dados da execução orçamental são bem o retrato da miséria que vai por esse país», sublinhou o deputado comunista, atribuindo o aumento da receita fiscal ao «saque» que foi imposto pelo Governo, principalmente aos rendimentos do trabalho.

Paulo Sá destacou ainda o aumento de 19% dos juros pagos no primeiro trimestre - cerca de 170 milhões de euros - considerando que «o Governo à medida que vai impondo uma política de empobrecimento dos portugueses vai transferindo essa riqueza para os mercados financeiros através do incremento dos juros».

«Quer da análise da evolução da despesa, quer da receita sobressai um facto: esta política do Governo é uma política de empobrecimento dos portugueses, de favorecimento dos grandes grupos económicos», insistiu.