O eurodeputado do PSD Paulo Rangel manifestou-se surpreso com a “reação desmesurada” às suas declarações proferidas sábado na Universidade de Verão do partido, nas quais elogiou “o ataque sério e consistente” à corrupção e “promiscuidade”.

No sábado, na Universidade de Verão do PSD, o eurodeputado social-democrata elogiou o "ataque sério e consistente" feito nos últimos tempos à corrupção e "promiscuidade" e questionou se “alguém acredita que se os socialistas estivessem no poder haveria um primeiro-ministro sob investigação” [José Sócrates] ou “o maior banqueiro estaria sob investigação” [Ricardo Salgado].

Num artigo publicado hoje no jornal Público, Paulo Rangel diz estar surpreso com a “reação desmesurada de tantos à leitura de sociologia criminal e política” e salientou que não vai responder ao PS.

“Não vou responder ao PS, nem aos modos ‘enfurecidos’ – segundo a imprensa – da sua reação. O PS usou o conteúdo vasto e complexo da aula como lhe parecia dar mais jeito: Ironicamente, foi essa a reação que trouxe o caso Sócrates para a ribalta. Mas não me cabe defender o PS de si próprio”, sublinhou.


O eurodeputado do PSD diz também que não vai pronunciar-se sobre os comentadores que falaram sobre as suas declarações de sábado.

“(…) Não vou pronunciar-me sobre os comentadores que, nos vários meios, formularam opiniões para todos os gostos. As afirmações, depois de proferidas, ganham vida própria e não cabe ao autor cercear a liberdade e a imaginação de quem retamente as interpreta, intencionalmente as distorce ou inconscientemente as treslê”.


No artigo, Paulo Rangel reitera ainda tudo o que disse na Universidade de Verão do PSD.

“Insisto: A perseguição dos poderosos na política ou na finança não é obra do governo, mas o clima social, a disposição popular e atitude dos responsáveis políticos criam um ambiente favorável a um exercício são e pleno da justiça. Foi isto que disse e é isso que reitero”, afirma.


De acordo com Paulo Rangel, os mesmos que aplaudiram a acusação judicial do primeiro-ministro islandês por ter desenvolvido uma política que levou o país à bancarrota veem politização da justiça na referência à criação de um ambiente favorável à investigação de um banqueiro e de um líder político, que terão praticado crimes de delito comum.

“Podem dizer o que quiserem. Mas sob o ponto de vista do Estado de Direito, o ar é hoje bem mais respirável do que era em 2009 e 2011”, concluiu.


No sábado, pouco depois das declarações de Paulo Rangel, o eurodeputado do PS Francisco Assis acusou o PSD de estar a fazer "uma tentativa clara de partidarização da justiça" e exigiu a Pedro Passos Coelho que clarifique se se reconhece nas declarações do eurodeputado.

O porta-voz do PSD, Marco António Costa, afirmou que a posição oficial do partido, da coligação e do Governo é não comentar assuntos judiciais e recusou acrescentar qualquer posição à proferida por Passos Coelho sobre as declarações de Paulo Rangel.

Também a presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), Maria José Costeira, qualificou as declarações do eurodeputado social-democrata como “infelizes” e que em nada dignificam o discurso político e o secretário-geral do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, Filipe Preces, disse tratar-se de “chicana política”.