O cabeça de lista da coligação PSD/CDS-PP às europeias acusou esta quarta-feira o líder socialista de «destruir» e zombar da imagem de Portugal no estrangeiro, apresentando um retrato falso do país, que só prejudica os portugueses.

«Porque é que vai ao estrangeiro fazer um retrato negro e ainda por cima falso, erróneo, porque os sinais de recuperação económica reconhecidos por todas as instâncias internacionais já estão aí, responda por favor, por que razão vai aos estrangeiro fazer um retrato que só pode piorar e prejudicar os portugueses», questionou o número um da lista da coligação Aliança Portugal, Paulo Rangel.

Falando na apresentação do manifesto da coligação, Paulo Rangel referiu-se concretamente à visita que o secretário-geral socialista fez no início da semana a Inglaterra, acusando António José Seguro de se ter limitado «a destruir e, em certo sentido, a zombar da imagem do país».

«Foi a Londres dizer aos ingleses e à comunidade internacional que os sacrifícios, os esforços portugueses durante estes três anos não serviram para nada», sublinhou, lamentando que o secretário-geral socialista não tenha antes optado por apresentar propostas concretas e construtivas.

O cabeça de lista da coligação «Aliança Portugal» lamentou ainda que, numa demonstração de que o PS não está sozinho e tem alguma capacidade de modelar e influenciar a política europeia, nos últimos dias António José Seguro tenha apresentado como «troféus» os contactos que teve com «o número dois socialista de Angela Merkel, o número dois socialista do senhor Hollande» e, já está segunda-feira, com o líder dos trabalhistas ingleses.

«Se Seguro e o PS estão tão incomodados com o desemprego existente, com a situação social das famílias, com o futuro dos jovens acabados de formar, por que razão faz um discurso que só contribui e contribui objetivamente para piorar a situação desses portugueses», insistiu Paulo Rangel, desafiando António José Seguro a responder a essa questão esta quarta-feira à noite «no número bizarro de representação da apresentação do cabeça de lista do PS às eleições europeias».

Antes, o quarto candidato da lista da coligação e o primeiro nome do CDS-PP, Nuno Melo, já tinha repudiado a forma como no estrangeiro o secretário-geral do PS parece tentar convencer os seus interlocutores que Portugal não está a obter resultados.

«Todas as entidades internas e externas registam que Portugal cresce e o desemprego diminui, António José Seguro pede aos mercados e aos credores que não acreditem ou, se não pede, seguramente que parece», disse Nuno Melo, frisando que «em matérias de mercados financeiros tão importante é a perceção, como é a realidade».

Na sua intervenção durante a apresentação do manifesto da coligação «Aliança Portugal», Paulo Rangel voltou também a criticar a forma como os socialistas estão a conduzir o dossier das europeias, contrapondo com o «modo atempado, preparado e organizado» como a coligação está a apresentar a candidatura.

«Fomos os primeiros a lançar os cabeças de lista, no prazo de uma semana fomos capazes de concluir o acordo político da coligação e de o apresentar publicamente, nesse mesmo prazo de uma semana, talvez 10 dias, temos a lista completamente fechada, pronta a ser conhecida e escrutinada pelos portugueses», enfatizou, lembrando que hoje o PS vai apresentar «pela segunda vez, ao retardador e de forma requentada o seu cabeça de lista, nós vamos assistir».