O eurodeputado Paulo Rangel acusou hoje o primeiro-ministro António Costa de estar “desaparecido em combate” e assim deixar a credibilidade do país “ao desbarato”. Isso a propósito do roubo de armamento militar em Tancos. Já quanto aos pedidos de demissão de três secretários de Estado, um ano depois do caso das viagens pagas pela Galp, o social-democrata acusou o chefe de Governo de atuar "ao retardador". Costa aceitou esses pedidos assim que foram feitos.

A verdade é que o Governo funciona ao retardador e penso que isto vai acontecer também com o Ministério da Administração Interna, seguramente que, mais dia, menos dia, vamos ter notícia sobre esta demissão, se não for agora já em pacote”.

Paulo Rangel lembrou que “no momento em que esta polémica eclodiu, logo na altura se chamou à atenção, nomeadamente sobre o secretário de Estado Rocha Andrade, que ele se devia demitir”. "Ele e o primeiro-ministro disseram que não. Nós estamos a ver que o primeiro-ministro atua ao retardador, mas acaba por atuar”.

Era altamente questionável do ponto de vista ético e deontológico que o secretário de Estado que é responsável pelos assuntos fiscais, e que tinha dado um regime próprio à Galp, fosse convidado da Galp. Não se compreende que na altura não se tivesse demitido imediatamente”.

Daí considerar que ao primeiro-ministro António Costa "mais uma vez caiu-lhe a face". "Talvez este período de reflexão em que ele esteve ausente do país [esteve de férias], e do qual ainda não regressou num momento tão difícil para o país, talvez o tenha feito ao menos cair na consciência de que esta situação anda insustentável”, sublinhou.

Tancos: "Está desaparecido em combate"

Para Rangel, que falava durante a apresentação da candidatura de Pedro Duarte à Assembleia Municipal do Porto pela coligação PSD/PPM, “nós estamos neste momento perante um poder nacional que no plano interno não cuida do equilíbrio territorial e no plano internacional deixa a credibilidade do país ao desbarato”.

O homem que não dá a cara e que se chama António Costa está desaparecido em combate. Temos um primeiro-ministro ‘missing in action’. Está dado como desaparecido”

Para Rangel, quando António Costa regressou de férias, devia ter tido “uma palavra ou um gesto junto do exército português”.

Depois dos tumultos que sentimos no exército português ainda ontem [sábado], não seria de esperar que o primeiro-ministro, que é quem é responsável, em último termo, pela política de defesa, tivesse um gesto, uma palavra, uma visita que desse um sinal de confiança na serenidade e estabilidade das forças armadas. Onde está o primeiro-ministro? Está desaparecido em combate, está ‘missing in action’. É isso que está”.

No final, e questionado pelos jornalistas sobre a ausência do primeiro-ministro, Rangel disse considerar “incompreensível que, no momento em que o país sofreu o trauma que sofreu com Pedrógão Grande e em especial depois do roubo de Tancos, o primeiro-ministro não tenha sequer vindo ao país dar uma palavra, ter um gesto”

“Qualquer um de nós que está em férias, se tiver um problema sério em casa, regressa de férias. Um primeiro-ministro por maioria de razão. Agora, já regressou de férias e não teve uma palavra sequer para o exército. O exército está na turbulência que nós vimos ontem [sábado] e o primeiro-ministro não teve uma palavra”, criticou o eurodeputado para quem António Costa está “sem dúvida, desaparecido em combate”, o que “é grave”.

Para o eurodeputado “o primeiro-ministro provavelmente não sabe o que há de dizer” por “estar tão desorientado”

“O país está à deriva porque um primeiro-ministro, perante factos tão sérios e graves, não interrompe as suas férias e não vem ao país, é um primeiro-ministro que não está à altura daquelas que são as suas responsabilidades. E especialmente se já regressou, devia ter dito algo e dado um gesto para com as forças armadas que reponha a confiança, a segurança, a autoridade e até serenidade nas forças armadas”, disse.

"Nós estamos neste momento perante um poder nacional que no plano interno não cuida do equilíbrio territorial e no plano internacional deixa a credibilidade do país ao desbarato”, concluiu.

Ontem, também à direita, foi a vez de Assunção Cristas lançar um repto ao primeiro-ministro, que termina hoje as suas férias: "Apareça e dê a cara". A líder do CDS-PP voltou a dizer que já é tempo de o primeiro-ministro "pôr ordem na casa" e, inclusive, remodelar o Governo.

Esse repto surgiu depois de ontem uma demissão oficial e outra anunciada por parte de generais do Exército terem vindo dar novos contornos ao caso, evidenciando uma clara rota de colisão com as decisões tomadas pelo chefe de Estado-Maior do Exército.