O eurodeputado do PSD Paulo Rangel escusou-se esta terça-feira à noite a responder se pondera disputar a liderança do PSD, alegando que este "não é o tempo de nomes" e que "há um tempo para falar e outro para estar calado".

À saída da reunião do Conselho Nacional do PSD, Rangel foi questionado se admite candidatar-se à presidência do partido, depois de o atual líder, Pedro Passos Coelho, ter anunciado também esta terça-feira à noite que não será recandidato nas diretas que poderão realizar-se já em dezembro.

Nós hoje viemos aqui apenas fazer uma reflexão. Este não é o tempo para nomes nem para números, este é o tempo de pensarmos qual é o futuro que queremos para o PSD", disse, remetendo para o artigo que escreveu esta terça-feira no jornal Público.

Perante a insistência dos jornalistas, Rangel fez uma alusão a uma passagem bíblica: "Como se diz no livro do Eclesiastes, há tempo para rasgar e tempo para coser, há tempo para estar calado e tempo para falar, o tempo para falar foi lá dentro e o tempo para estar calado é cá fora".

De acordo com conselheiros nacionais presentes na reunião que decorreu à porta fechada, Rangel fez uma intervenção muito aplaudida, na qual disse que o PSD não pode embarcar em "soluções amigas do Bloco Central", no que foi entendido como uma referência crítica a Rui Rio, que deverá em breve apresentar a sua candidatura à liderança do partido.

Também o ex-líder parlamentar Luís Montenegro fez uma intervenção muito aplaudida no Conselho Nacional, centrada nos elogios a Passos Coelho e na qual não abordou a futura disputa da liderança. Luís Montenegro, que liderou a bancada “laranja” nos últimos seis anos, tem estado a ser pressionado para avançar por companheiros deputados, autarcas e dirigentes, mas está inclinado a resguardar-se. Os seus apoiantes consideram que ainda é cedo, tendo em conta o bom momento do Governo, o mau momento do PSD e as legislativas já em 2019. 

Nuno Morais Sarmento excluiu esta terça-feira uma candidatura à liderança do PSD, após a não recandidatura de Passos Coelho nas próximas diretas, apontando para Rui Rio, Marques Mendes e Santana Lopes.

No programa "Falar Claro", da Rádio Renascença, ainda antes de Passos Coelho anunciar ao Conselho Nacional que não voltará a candidatar-se, o ex-ministro da Presidência do Governo de Durão Barroso assegurou que "não será um dos candidatos" nas próximas eleições internas e lançou o nome de "três putativos candidatos",

“É necessário conhecer a vontade destes três nomes, que serão, à partida, os primeiros candidatos, caso se confirme que Passos Coelho não se recandidata”, defendeu, apontando os nomes de Marques Mendes, Rui Rio e Santana Lopes.

Após o comentário de Morais Sarmento, Pedro Santana Lopes admitiu estar a ponderar uma candidatura à liderança do partido, afirmando que tem recebido muitas mensagens de incentivo e não gostar de "consensos fabricados antes de tempo".

[Estou] a ponderar, obviamente”, admitiu o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, na SIC-Notícias, no seu habitual espaço de debate com o socialista António Vitorino.

O ex-líder social-democrata, que chegou a chefiar o Executivo na sequência da ida de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia, assegurou que apoiaria Passos Coelho, se este tivesse decidido voltar a candidatar-se à liderança.

E deixou uma mensagem aos que pretendem “consensos fabricados” em torno de potenciais líderes ou que se pretendem apresentar somente com apoios dos barões do partido.

“Esses consensos fabricados antes de tempo, nunca gostei, nem gosto”, acentuou, deixando ainda um recado: “Mesmo que alguém corra a apresentar-se com nomes de barões e baronetes, quem vota são os militantes”.

Marco António Costa sai com Passos Coelho

O vice-presidente do PSD Marco António Costa anunciou esta terça-feira no Conselho Nacional que não pretende ocupar cargos partidários nos próximos anos, apesar de "não prescindir" de dar a sua opinião sobre o futuro do partido.

Numa intervenção no Conselho Nacional, que depois confirmou à Lusa, Marco António Costa salientou que é vice-presidente do partido desde 2010, quando Passos Coelho assumiu a liderança, sendo o único membro da atual comissão política desse período.

Entendi que também devo sair com ele e não tenho nenhuma intenção de ocupar cargos no partido", assegurou.

No entanto, Marco António Costa garantiu que não "vai prescindir de intervir politicamente no partido relativamente à definição do seu futuro", depois de Passos Coelho ter anunciado que não se recandidatará.

O atual vice-presidente do PSD ocupou o cargo de coordenador e porta-voz da comissão política quando o Passos Coelho era primeiro-ministro.

"É uma honra ter entrado com ele e uma honra maior sair ao lado dele", afirmou.