O eurodeputado Paulo Rangel afirmou que o PS encara as europeias de 25 de maio como uma «espécie de eleições pré-legislativas», focando o seu discurso no Governo, dívida e austeridade, esquecendo-se de apresentar soluções para a Europa.

No seminário «Desafios para a Europa», na Universidade Lusíada do Porto, o cabeça de lista da Aliança Portugal (PSD/CDS-PP) às eleições europeias frisou que os socialistas olham para as eleições europeias como uma «espécie de eleições pré-legislativas», mostrando mesmo disponibilidade para integrar o próximo Governo.

Paulo Rangel considerou, por outro lado, que o PS fala em divergências no Governo para esconder «contradições extremamente graves» entre António José Seguro, líder do partido, e Martin Schulz, candidato socialista à Comissão Europeia, sobre a mutualização da dívida.

«O PS está a anunciar ao país uma solução para a Europa que o seu candidato rejeita liminarmente. Em vez de estar a falar em eventuais divergências no Governo, devia olhar para as contradições que está a fazer», disse.

Segundo Paulo Rangel, é «demagógico» o PS dizer que a mutualização da dívida é a solução para resolver a crise europeia, quando o seu candidato à presidência do Parlamento Europeu diz estar fora da agenda.

«Como é que o PS pode propor uma solução que sabe que depois o seu candidato não vai levar a cabo se, por acaso, fosse eleito presidente da Comissão Europeia», questionou o candidato.

A mutualização da dívida é algo desejável e vai ser atingida a médio e longo prazo, mas atualmente é «inviável», salientou Rangel.

Questionado sobre a reunião de hoje entre o PS e a troika, no final da qual um dirigente socialista disse ter ficado com a «certeza» de que a política de austeridade em Portugal vai continuar, Paulo Rangel frisou que a oposição continua com uma agenda «completamente desfocada e propagandista».

Segundo o candidato da Aliança Portugal, o que está em causa já não é mais austeridade, mas uma lógica de recuperação do país assente em responsabilidade orçamental.

Atualmente, é importante fomentar o crescimento, emprego e exportações, mas mantendo uma trajetória sustentada nas finanças públicas, explicou.

«O PS talvez gostasse que voltássemos atrás e a 2011, mas os portugueses não estão dispostos a passar pelo que passaram outra vez. Não vamos repetir os erros do passado pelo despesismo em que o PS quer entrar», realçou Paulo Rangel.