O cabeça de lista da Aliança Portugal, Paulo Rangel, recusou esta sexta-feira que exista qualquer ameaça a Portugal por parte da Comissão Europeia, mas antes uma «garantia», e frisou que um segundo resgate está «totalmente fora do horizonte».

«Está totalmente fora do horizonte, basta pensar que nós temos neste momento poupanças para um ano», afirmou Paulo Rangel aos jornalistas, à saída do Centro Tecnológico de Calçado de Portugal, em São João da Madeira.

Segundo o Diário de Notícias, a Comissão Europeia avisa o Governo português que, se o processo de consolidação orçamental for travado, os mercados castigarão Portugal, levando o país a ser sujeito a um segundo resgate.

«O que está perfeitamente definido desde o início é que, havendo uma saída limpa, a União Europeia não deixa de estar atenta nomeadamente para uma linha cautelar, não é um segundo resgate. Isso é o que foi feito para a Irlanda e para todos», sustentou.

Segundo Rangel, «ao contrário do tom da notícia, é uma garantia, não é uma ameaça, é dar aos credores internacionais a certeza de que se houver algum problema, há sempre disponibilidade para ajudar».

«Felizmente, não vai ser preciso nada disso», declarou.

«Uma saída limpa tem sempre uma garantia por trás, foi esse o pressuposto irlandês. Obviamente que ninguém a quer usar, é um ato de solidariedade e de reforço da posição portuguesa, não é um ato de ameaça da posição portuguesa, é precisamente o contrário», insistiu.

Antes de se encontrar com representantes da Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, no Centro Tecnológico do Calçado, o cabeça de lista da coligação PSD/CDS-PP e o primeiro candidato do CDS-PP, Nuno Melo, estiveram na fábrica Simoldes, em Oliveira de Azeméis, que visitaram depois de um almoço com a administração.

Num dia dedicado à indústria, a candidatura da Aliança Portugal reuniu também com a Associação Portuguesa de Cortiça e visitou os terrenos do futuro parque empresarial de recuperação de materiais, no concelho de Santa Maria da Feira, que, com recurso a fundos comunitários, pretende ser uma alternativa às sucatas.

Na comitiva seguem o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, e a deputada do CDS-PP eleita por Aveiro Teresa Anjinho.