O eurodeputado social-democrata Paulo Rangel acusou esta segunda-feira o líder socialista António Costa de “cobardia” por não ter falado no parlamento e disse estar em causa uma “agenda escondida” de aumento de impostos no programa de governo.

“Esta agenda escondida tem de ser revelada e eu penso que foi por isso que António Costa não quis dar hoje a cara. Porque não sabe explicar onde vai buscar o dinheiro para cumprir tanta promessa”, afirmou Paulo Rangel à margem da apresentação do livro “Jovens e a Política” de José Miguel Bettencourt.

Para o social-democrata “é extremamente significativo que António Costa não tenha tido coragem de assumir as suas posições no início do debate”.

“Como é que alguém vai para um debate de Programa de Governo, o líder do partido da oposição que quer ser Governo a partir de amanhã e não intervém nem um minuto? É sinal de medo e de cobardia de não ser capaz de assumir as suas posições”, assinalou Paulo Rangel.


Para o eurodeputado este “é um mau começo” para quem “quer ser primeiro-ministro de Portugal e quer deitar este Governo abaixo e aprovar uma moção de rejeição”, uma vez que “no primeiro momento que teve, não usou o local onde os portugueses estão representados para exprimir uma posição que fosse”.

Rangel acrescentou que “ é um mau sinal” que “mostra que o próprio [António Costa] acha que tem um défice de legitimidade (…) política porque a aliança que faz com a extrema-esquerda é contra natura, é juntar água e azeite e isto não vai acabar bem”.

“É uma solução artificial e artificiosa, está tão claro que o próprio líder não foi capaz de dar a cara no parlamento”, frisou.


Quando à proposta de Programa de Governo do PS, aprovado pela Comissão Nacional do partido no sábado, Paulo Rangel admitiu o “receio” de que com “este caminho” o país acabe por “entrar numa via” que o “leve à bancarrota”.

“Como é possível aumentar a despesa, diminuir a receita, do modo como está previsto nesses ditos acordos, e depois vir dizer que o défice vai ficar mais pequeno?”, questionou, acrescentando que tal “quer dizer que vai ter de haver um aumento brutal de impostos”.

Para Rangel, tal aumento de impostos estará numa “agenda escondida nestes acordos” entre PS, PCP e BE já que com “mais despesa, menos receita e um défice menor” há que “ir buscar o dinheiro a algum lado”.

“Jovens e a Política” é um livro de José Miguel Bettencourt, desde 2010 membro do Conselho de Jurisdição Nacional do PSD e ex-dirigente nacional da JSD.

A obra reúne depoimentos de diversas personalidades da política como Adriano Moreira, Paulo Teixeira Pinto, Mota Amaral, Rui Oliveira e Costa, João Dias da Silva entre outros.