A maioria PSD/CDS-PP foi esta quarta-feira acusada pela oposição de ser uma «força de bloqueio» ao rejeitar voltar a ouvir o atual vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, na condição de ex-ministro da Defesa na comissão parlamentar de inquérito sobre material militar.

O requerimento apresentado pelo PS justificava nova deslocação de Portas ao Parlamento devido a factos apurados em audições posteriores à sua, por exemplo o alegado encontro «num forte do Guincho» com um representante do consórcio alemão dos submarinos ou a alteração de um spread por parte do consórcio financeiro que incluía o BES e que viria a vencer o leilão bancário efetuado pelo Estado português, mas foi «chumbado», apesar dos votos favoráveis de PCP e BE.

«Os factos não são novos e constavam do acervo documental desta comissão. O Dr. Paulo Portas esteve cá longas horas a responder a todas as perguntas de todos os partidos políticos. O tal mistério do Guincho, sabemos hoje, que foi uma reunião que teve a ver com a garantia exigida e até o sr. Muhlenbeck disse que saiu de lá muito desagradado», contrapôs o deputado do CDS-PP Filipe Lobo d'Ávila.

O parlamentar centrista referiu já terem sido ouvidas «mais de 50 pessoas» e acusou os socialistas de terem falhado o seu «objetivo central na comissão, ao fim de 133 dias de trabalho», pois «procuraram atingir uma pessoa (Portas) e, do ponto de vista da honorabilidade, não o conseguiram».

«A maioria continua a bloquear audições de outros grupos parlamentares, constiuindo-se como uma força de bloqueio», condenou o deputado comunista Jorge Machado, enquanto o bloquista João Semedo considerou «vulgar nas comissões de inquérito ouvir alguns depoentes segunda vez porque há factos novos».

O socialista José Magalhães recusou acusação de que «a ideia é arrastar» os trabalhos da comissão de inquérito e prometeu que «as questões serão colocadas» nesta «ou noutra sede», classificando a posição da maioria como «métodos de gazua ou martelo».

«Acham banal que (Portas) se encontre com um dos concorrentes, algures no Guincho, num restaurante ou na residência oficial e, aí, antes ainda da adjudicação, discuta a garantia bancária? Acham normal? Não acham que o visado tem direito a esclarecer isto?», reforçou.

O deputado do PSD António Prôa considerou «desnecessária» a volta do vice-primeiro-ministro às inquirições dos parlamentares e refutou também as acusações sobre bloqueio por parte da maioria.

«Tivemos ocasião de o ouvir (Portas) longamente e de colocar todas as questões que todos os grupos parlamentares entenderam. Já foram ouvidas, pelas minhas contas, 58 personalidades, 35 propostas pelo BE, 13 pelo PCP, 15 pelo CDS, 16 pelo PS e 15 pelo PSD», cita a Lusa.