O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, classificou esta terça-feira o conflito na Síria como a «maior tragédia humanitária» do início do século, reiterando a posição portuguesa de considerar «imprudente a venda de armas» à oposição, pelos países europeus.

«É a maior tragédia humanitária deste início do século, quer pelo número de perdas de vidas, quer de refugiados, quer de deslocados. [Os números] são absolutamente avassaladores e o impasse da comunidade internacional nesta matéria é muito grande», declarou Paulo Portas.

O ainda ministro dos Negócios Estrangeiros, que já foi indicado ao Presidente da República, pelo primeiro-ministro, para as funções de vice-primeiro-ministro, falava numa audição na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros.

Reiterando que «Portugal favorece uma solução política», Portas voltou a explicar a posição portuguesa no conselho de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia.

Apesar de reconhecer que «há uma grande desproporção de meios e de forças entre o regime e a sua coerção e a oposição e a sua dispersão», Portas disse que a «venda de armas a uma oposição onde também existem grupos com algum fundamentalismo, sem ter garantias quanto ao destinatário final, sem ter garantias quanto à revenda, sem ter garantia contra quem seriam usadas essas armas, do ponto de vista da posição do Governo português, foi considerado imprudente».

Portugal manifestou esta posição chamando igualmente a atenção de que «a União Europeia não devia colocar-se numa situação em que os próprios Estados Unidos da América não se colocam».

«Pelo contrário, a União Europeia devia favorecer a sua capacidade de manobra, na mera possibilidade de existir uma conferência internacional sobre a Síria, onde evidentemente a União Europeia devia ser uma parte importante», sublinhou.