O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, defendeu esta quarta-feira a necessidade de desenvolver os países das fronteiras do Mediterrâneo para «garantir a segurança no continente europeu» e apelou para a cooperação entre Estados e empresas contra medidas protecionistas.

«A melhor forma de defender a segurança do continente europeu é participar no desenvolvimento e no investimento na fronteira mediterrânica dos dois continentes», sustentou o governante português, que falava na abertura do II Fórum Económico e Empresarial do Diálogo 5+5, que reúne hoje em Lisboa mais de 400 representantes de empresas, ministérios e associações empresariais dos dez países do Mediterrâneo Ocidental (Portugal, Espanha, França, Itália e Malta, do lado da Europa, e Mauritânia, Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia, do lado africano).

Paulo Portas deu o exemplo do problema das migrações clandestinas para a Europa, com origem no continente africano.

«Discute-se sem profundidade questões relacionadas com as migrações, que são muito sérias, deixando de discutir a criação de condições de desenvolvimento, de esperança, de futuro, em que as empresas e as parcerias entre os dois lados são absolutamente determinantes», sustentou.

Para o vice-primeiro-ministro, «as questões decisivas de segurança e estratégia para a segurança da própria Europa jogam-se frequentemente na fronteira do Mediterrâneo» e é no Magrebe, na região mediterrânica e no Médio Oriente que «estão as questões de segurança internacional mais sensíveis há mais tempo, prolongadamente, e que precisam de um investimento político relevante do ponto de vista do compromisso e da negociação».

«O Diálogo 5+5 aproxima continentes, aproxima Estados, aproxima empresas e tem a virtude de colocar à mesma mesa multilateralmente países que, bilateralmente, têm, de quando em vez, dificuldades», referiu.

A nível comercial, o número dois do Governo português defendeu que os países do Mediterrâneo ocidental deveriam «ter a ambição de não criar problemas uns aos outros, nomeadamente de natureza protecionista».

«Quanto mais comércio tivermos, mais amizade teremos. O fomento do comércio e das parcerias entre os nossos Estados e das parcerias entre as nossas empresas é do interesse de todos, faz avançar o conjunto. Quando há medidas restritivas ou defensivas de um lado, isso provoca sempre uma reação do lado contrário e um grande consumo de energia política e institucional para resolver questões que uma atitude mais aberta de um lado e de outro relativamente ao comércio evitariam», defendeu.

Paulo Portas deixou um apelo para que «a possibilidade de fazer exportações e importações seja vista do lado de cada um dos países como uma relação ganhadora para todos».