O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, criticou, no debate quinzenal, o Governo por estar a tomar medidas que podem prejudicar a economia, como a intenção de devolver aos portugueses uma parte maior da sobretaxa de IRS do que aquela que o anterior Executivo previa - por considerar que desta forma a reposição de rendimentos pode não ser definitiva - e por estar a negociar com sindicatos que podem levar ao "suicídio económico".

“O que nos separa é a velocidade na recuperação de rendimentos. Acho preferível em matéria de sobretaxa fazê-lo gradualmente, porque se for feito ano após ano, a devolução inteiramente merecida e justa será definitiva. Se o sr. primeiro-ministro entrar num leilão de quem é que dá mais, mais depressa, pode daqui a um ano estar a tirar o que está a dar e prejudicar a classe média.”


Paulo Portas deixou, também, avisos ao primeiro-ministro sobre o impacto das greves na economia nacional, referindo-se em particular à greve dos estivadores no porto de Lisboa. Referindo-se ao apoio do PCP e BE ao Governo, o líder do CDS pediu a António Costa que faça servir a "geringonça" para alguma coisa, e trave as greves da "intersindical" que estão a prejudicar a economia. 

“Que sirva para alguma coisa a geringonça. Não pode pedir aos camaradas da intersindical que acabem com o sindicalismo agressivo que provoca o suicídio económico, que prejudica as exportações e que pode por em causa o emprego e os postos de trabalho a prazo, com tanta greve que prejudica a economia portuguesa? (...) Só para janeiro já estão marcados quase 10 dias de greves e isso prejudica as exportações. Não me venha dizer que as greves nos portos são um modelo de um rendimento médio do trabalhador português, porque estão acima."

Na resposta, o primeiro-ministro acusou Paulo Portas de ter estado por detrás de um Governo que bateu "recordes" de greves, e deixou claro que este Executivo não vai excluir quaisquer forças políticas ou confederações do diálogo.

"Nenhum Governo nas próximas décadas conseguirá bater o recorde do seu Governo em matéria de greves nos portos, e em particular no porto de Lisboa. (...) [E] não aceito um país onde haja exclusão de forças políticas ou de forças sociais, não aceito um pais onde a concertação social se faz entre ter o conjunto das confederações patronais e uma confederação sindical."

António Costa criticou, também, a intervenção de Paulo Portas por se referir desta forma ao direito à greve, ainda que compreenda a "necessidade" de se diferenciar da bancada do PSD.

"Tenho percebido que o sr. deputado tem necessidade de se diferenciar depois de tantos anos de convívio com a bancada do PSD. E bem sei que a bancada do PSD de tal forma se deslocou para a direita que o sr. tem de fugir muito para se conseguir manter alguma diferenciação com a bancada do PSD, mas sr. deputado há limites para a alergia à greve e para a visão que o sr. tem do direito dos sindicatos, e da função dos sindicatos em Portugal."

O primeiro-ministro foi, ainda, questionado, pelo líder do CDS sobre a extinção dos exames do 6.º e 9.º anos, à semelhança do que aconteceu com os exames do 4.º ano, tendo António Costa recomendado a Portas que leia o Programa do Governo para encontrar um esclarecimento.

"Recomendo a leitura do Programa do Governo, que é muito claro quanto às provas que devem ser mantidas ou alteradas e não consta do Programa de Governo a eliminação das provas a que se referiu", afirmou António Costa.