O líder do CDS-PP, Paulo Portas, considerou esta quarta-feira «uma vergonha» que os dois maiores partidos políticos mantenham a situação de atraso na eleição do novo provedor de Justiça, noticia a Lusa.

«É uma vergonha que os dois partidos sujeitem o [actual] provedor de Justiça» a esta situação de ter o seu mandato terminado e já ter transmitido que quer deixar o cargo, mas a eleição continuar a ser adiada, referiu.

Paulo Portas, que falava aos jornalistas depois de uma reunião com o secretário-geral da UGT, João Proença, salientou a «pouca consideração pela instituição» da parte do PS e do PSD, ao permitirem que «tudo continue como está».

Na terça-feira, o provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues, escreveu à Assembleia da República manifestando desagrado pelo atraso na eleição do seu sucessor e considerando a situação «demasiado prolongada, insustentável e desprestigiante».

A carta foi lida pelo Presidente da Assembleia da República Jaime Gama na conferência dos líderes parlamentares.

«Não há condições institucionais»

De acordo com a porta-voz da conferência de líderes, Celeste Correia, na missiva Nascimento Rodrigues refere que «não há condições institucionais para prolongar» esta situação, que se arrasta desde Junho, altura em que o Provedor de Justiça completou os quatro anos de mandato.

A primeira eleição do sucessor de Nascimento Rodrigues esteve marcada para Julho, mas foi sendo sucessivamente adiada porque PS e PSD não se entendem quanto a quem cabe propor o novo titular do cargo.