Paulo Portas considera que seria «insano» recusar um investimento estrangeiro ao nível dos 1300 milhões de euros que entraram em Portugal por via do regime dos chamados vistos gold.
 

«Seria insano recusar esse investimento estrangeiro e seria abstruso oferecer tamanha criação de riqueza a qualquer um dos países que concorrem com Portugal na Europa com regimes semelhantes».


O vice-primeiro-ministro defendeu que os vistos gold «são importantes para economia nacional», mas admitiu que o seu regime «é melhorável e aperfeiçoável». «Estamos disponíveis para melhorar o sistema», prometeu aos deputados.

Portas esteve no Parlamento a defender as alterações ao regime, nomeadamente os «reforços na fiscalização» e a «abertura dos vistos a novos domínios de aplicação, para diversificar os investimentos».

Segundo a proposta do Governo, a concessão de vistos gold será, por exemplo, «regularmente auditada pela Inspeção Geral da Administração Interna». A autorização de residência será alargada também a quem investir em setores como «a ciência e a investigação, a arte e o património, especificamente a reabilitação urbana».

Já a deputada do Bloco de Esquerda Cecília Honório apontou que os vistos gold estão «associados à corrupção e às detenções de altos dirigentes do Estado», pelo que o BE defende o fim deste programa.
 

«Os vistos gold não têm nem emenda nem retoque (…) Não há controlo e haverá sempre possibilidade de favorecimento».


Também o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, acusou o Governo de estar a «desconsiderar» as recomendações do Banco de Portugal, ao não admitir que este regime é «uma via para o branqueamento de capitais».

O CDS-PP, por Telmo Correia, aproveitou para citar as polémicas declarações do secretário-geral do PS, António Costa.
 

«Os amigos são para as ocasiões e não há dúvidas que o país está melhor do que há 4 anos. Os investidores chineses acreditaram em Portugal».


Segundo o deputado democrata-cristão, que admitiu «problemas, dificuldades e até irregularidades» no regime dos vistos gold, «quando vimos fraudes no rendimento mínimo, ninguém propôs acabar com o rendimento mínimo».