O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, recomendou ao PS "alguma coerência" sobre a privatização da TAP, recordando que a defendeu quando era Governo e "a colocou no memorando com a 'troika'", criticando os "sinais errados aos investidores" dados pelos socialistas.

"Eu recomendaria alguma coerência ao maior partido da oposição porque as pessoas têm memória. Então o PS quando está no Governo diz "viva a Swissair" e quando está na oposição diz "abaixo a Azul?"


Paulo Portas falou aos jornalistas sobre a privatização da TAP, à margem do encerramento 1.º Fórum Exportador, em Guimarães. O vice-primeiro-ministro recordou que o PS defendia a privatização "quando era Governo e até a colocou no memorando com a 'troika'" e acusou o maior partido da oposição de nos últimos tempos estar "a dar sinais errados aos investidores".

"Ao dizer que rompe o acordo com o Governo sobre a descida gradual do IRC e ao dizer agora que interrompe o processo de capitalização da TAP, evidentemente gera desconfiança e gera incerteza."


O governante foi mais longe e considerou que uma gestão privada na TAP torna a companhia "mais livre e menos dependente de direções sindicais que convocam greves inaceitáveis porque numa gestão privada, as pessoas têm que pensar duas vezes".

"Estas direções sindicais fazem estas greves, que dão cabo financeiramente de uma companhia, porque acham que alguém pagará a fatura, ou seja, o Estado há de lá pôr o dinheiro. Numa empresa privada não é assim."


O PS advertiu, na quinta-feira, que a privatização da transportadora aérea está ainda numa "fase intercalar" e que um Governo socialista fará reverter o processo para garantir que o Estado conservará a maioria do capital da transportadora aérea. 

Já esta sexta-feira, o deputado socialista Rui Paulo Figueiredo voltou a reiterar esta posição, no Parlamento, afirmando que os socialistas  não vão hesitar em "utilizar a cláusula que o Governo aprovou", referindo-se a uma possível reversão do processo.

Portas enfatizou que a "entrada de capital novo, privado na companhia dá-lhe outra oportunidade" e que "isso também é outra oportunidade para os postos de trabalho".

Sobre as críticas aos números envolvidos no negócio, Portas foi perentório: "se alguém tiver 1092 milhões de euros, que é o valor da dívida, e se alguém me conseguir resolver o problema dos mais de 500 milhões de euros de capitais próprios negativos e disser eu não preciso de capital privado e tiver uma solução, faça o favor de a apresentar."

O vice-primeiro-ministro rejeitou que a solução passe por o "Estado pôr lá dinheiro", recordando que "a União Europeia é claríssima quando recusa auxílios de Estado que depois têm que ser devolvidos".

"Só com capital privado, fresco e novo na empresa é que nós a viabilizamos. E a viabilidade da TAP é essencial para que ela continue a ser estratégica."


Paulo Portas disse ficar bastante descansado com o facto de o vencedor ter origem na América Latina.

"Porque se fosse europeu poderia ter a tentação de deslocalizar os voos, sendo sul-americano tem naturalmente a vocação de crescer para a Europa e eu acho que o ‘hub’ português - que não é só Lisboa, também é Porto, também é Faro - pode até crescer."