O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, disse esta noite, em Madrid, que Portugal se “agiganta nas dificuldades” e que a imagem do país mudou radicalmente nos últimos quatro anos, destacando a “interdependência entre as duas economias da Península Ibérica”.

Paulo Portas falava num jantar promovido pelo Fórum dos Portugueses, no qual assinalou o Dia de Portugal, com referências à “identidade”, “universalidade singular” e capacidade “absolutamente fascinante” de relacionamento dos portugueses com outros povos.

Invocando o programa da ‘troika’, Paulo Portas considerou que a perceção externa sobre Portugal mudou radicalmente em relação a 2011. “Mais uma vez se confirma que somos uma nação que se agiganta nas dificuldades. Foi o que aconteceu exatamente, e houve quem não conseguisse o que conseguimos”, afirmou, segundo um discurso escrito enviado à agência Lusa.

No encontro participado por cerca de uma centena de pessoas do meio empresarial e académico, o vice-primeiro-ministro referiu que Portugal está “a viver uma transição para um ciclo económico diferente” e invocou o relacionamento com Espanha, principal cliente das empresas portuguesas e primeiro investidor direto em território nacional e destino de quase um quarto do total das exportações lusas.

“Podemos ter uma enorme confiança nesta relação económica. (…) É evidente que quando as duas economias crescem não há nenhuma razão para que o comércio entre os dois países não cresça mais”, salientou.

Por outro lado destacou a importância das línguas portuguesa e espanhola “na globalização e na nova organização económica”.

O governante português assinalou ainda que “Portugal e Espanha – um com resgate parcial, outro geral – foram colocados em circunstâncias dificílimas e souberam vencê-las e transformar o ciclo económico”.

“Portugal e Espanha estão hoje, com a Irlanda, entre os países da zona euro com mais perspetivas de crescimento económico, porque fizeram reformas. Tenho, aliás, muita pena que tenham sido feitas por pressão externa e não por nossa decisão soberana, a tempo”, afirmou.

Citando o Instituto Nacional de Estatística, Paulo Portas vincou que a confiança na economia portuguesa é a melhor desde 2002 entre consumidores e desde 2008 entre empreendedores.

“Só este facto permite antever que muitos investidores estão agora precisamente a tomar ou a ponderar decisões de investimento. E isso é revelado por um segundo indicador – a abertura do novo quadro comunitário Portugal 2020, que já tem concursos abertos para a inovação, qualificação e internacionalização. Fechados os prazos, aconteceu que a verba disponível andava à volta de 400 milhões de euros e as candidaturas representam um montante quatro vezes superior”, referiu.

“Mais de metade das empresas candidatam-se pela primeira vez a fundos comunitários, o que quer dizer que o tecido empresarial se renovou e que há procura muito significativa de fundos comunitários para projetos empresariais e de investimento”, argumentou.

Paulo Portas fez ainda referência ao Banco de Portugal, segundo o qual o investimento “é o elemento mais interessante na composição do crescimento”.

“O investimento em Portugal vai crescer este ano 6,2%. Um facto verdadeiramente novo. Significa que Portugal se tornou num destino atrativo para o investidor, é confiável e flexível”, adiantou.

“Todo o mundo disputa os mesmos investidores e investimentos. Eles escolherão Portugal se for atrativo, não por discurso político ou ideologia. Ninguém janta ideologia, investimentos fazem-se por razões pragmáticas e são eles que geram emprego”, sublinhou.