O ex-vice-primeiro-ministro Paulo Portas garantiu hoje que a lei é "escrupulosamente cumprida" no contrato como consultor da Mota-Engil, afirmando que mudou "radicalmente de vida" e que vai "fazer sete coisas ao mesmo tempo".

No final da apresentação do novo livro de Adriano Moreira, intitulado "Futuro com memória", em Lisboa, Paulo Portas foi questionado pelos jornalistas sobre uma eventual incompatibilidade entre o cargo de ex-governante e o novo lugar como consultor na Mota-Engil, tendo sido perentório: "leia a lei e veja que ela é escrupulosamente cumprida".

Eu mudei radicalmente de vida. Vou fazer sete coisas ao mesmo tempo", começou por responder aos jornalistas.

Paulo Portas enumerou que vai "ter um programa na televisão, dar aulas na universidade, promover exportações na Câmara de Comércio, ajudar à internacionalização de uma grande companhia portuguesa como a Mota-Engil, fazer consultoria estratégica no Golfo e na América Latina" para além de "participar em conferências e em palestras várias".

"Espero ter tempo para ajudar na formação dos jovens do CDS", disse ainda.

A notícia da contratação de Paulo Portas pela Mota-Engil foi conhecida na segunda-feira, tendo nesse mesmo dia o BE criticado a opção política do antigo governante dos executivos de Passos Coelho, desafiando ainda o ex-líder do CDS-PP a provar que não há incompatibilidade nesta nova função.

Os bloquistas criticaram o "apetite voraz" da Mota-Engil pela contratação de ex-ministros, assim como a disponibilidade de Paulo Portas para aceitar um lugar de consultor nesta empresa.

De manhã, nos Açores, a líder do CDS-PP, Assunção Cristas disse que é positivo Portugal ter "alguém com a experiência de Paulo Portas a ajudar" na internacionalização da economia.

No discurso da apresentação do livro do também ex-presidente do CDS-PP Adriano Moreira, Paulo Portas disse ter "uma admiração irrestrita" pelo histórico centrista.

Isto não aconteceu sempre. Eu quando era miúdo escrevi umas coisas algo insolentes e tive a possibilidade, que só demonstra a grandeza e a humildade, de um dia dizer ao Professor Adriano Moreira que não tinha idade, nem condição, nem estatuto para escrever aquilo e ele deu-me o benefício da amizade dele, que eu nunca mais esqueci", confessou.

Adriano Moreira, quando tomou a palavra, disse ser verdade que Paulo Portas, "quando era muito jovem, escreveu umas impertinências".

E eu, com as impertinências, disse: temos aqui um rapaz com futuro", disse, perante as gargalhadas da plateia.

Para o ex-vice-primeiro-ministro, "o professor Adriano Moreira é o melhor PIB - Produto Intelectual Bruto - do pensamento cristão contemporâneo em Portugal, do ponto de vista institucional, político e social".

É bom que nós saibamos, num tempo onde a memória é mínima para não dizer inexistente, que o Professor Adriano Moreira tem a responsabilidade de ter revogado - há revogações interessantes - o estatuto do indigenato", recordou, brincando com a sua demissão "irrevogável" que acabou por não acontecer do Governo de Passos Coelho.