Paulo Portas desafiou este domingo os partidos de esquerda para se deixarem de utopias. Ao lembrar  que o comunismo e os regimes totalitários do século XX nasceram disso mesmo, o líder do CDS-PP tentou colar o entendimento à esquerda à História, por essa via. 

"Deixem a utopia aos revolucionários e ocupem-se da realidade, de melhorar a vida da vossa geração e servir melhor o vosso país como se faz em qualquer país da Europa ocidental, progredindo passo a passo, procurando acordos e negociando", começou por dizer, em Peniche, no encerramento do Congresso da Juventude Popular.

"Foi em nome da utopia que se fizeram os piores totalitarismos do século XX, que nasceram o comunismo, o nazismo, o comunismo, que destruíram a liberdade e a vida de dezenas de milhões de seres humanos."


Portas seguiu a linha discursiva que adotou no debate do programa de Governo de António Costa. Nesse dia, utilizou uma sigla para caracterizar a relação que, no seu entender, os acordos à esquerda traçam entre o atual primeiro-ministro, Catarina Martins (a porta-voz do BE) e Jerónimo de Sousa (secretário-geral do PCP):  " António Costa escolhe hoje os seus BFF's - Best Friends Forever"

Hoje, o líder centrista lembrou ainda, segundo a Lusa, a "obsessão" pelo défice, de que era acusado o anterior Governo PSD/CDS-PP. Ele, que foi vice-primeiro-ministro de Passos Coelho, afirmou que não só não era uma obsessão, nem uma opção de ideologia, mas antes uma necessidade como "o PS agora reconhece", ao afirmar que "ter um défice abaixo dos 3% é importante para a credibilidade de Portugal".

"Eu acho que fazem bem em fazer essa opção", atirou, fazendo questão de assinalar o contributo do Governo que integrou, para alcançar esse objetivo ao longo dos últimos 11 meses.

"Faltam menos de 20 dias para o ano terminar. Depois de acautelar o pagamento dos salários, das pensões e dos fornecimentos essenciais, deixámos mais do que um doze avos para o último mês. [Os socialistas] só precisam de ser cuidadosos"


Já noutro plano, os rankings nacionais das escolas, que foram divulgados no sábado, o líder do CDS-PP questionou "como é possível [a esquerda] tentar a enganar as pessoas a dizer que o centro-direita tentou desmantelar a escola pública", se "as escolas propriedade do Estado evoluíram positivamente, tendo até globalmente alguns dos melhores resultados dos últimos anos".

No Congresso da Juventude Popular, foi eleito o novo líder dos jotas, Francisco Rodrigues dos Santos.