As críticas ao PS e ao Governo de esquerda, que toma posse nesta quinta-feira, dominaram a intervenção de Paulo Portas na Amadora, onde o ainda vice-primeiro-ministro participou num jantar comemorativo dos 40 anos do 25 de novembro.
 

"Recebemos um Portugal em resgate, entregamos um Portugal sem resgate. Recebemos um Portugal com a troika, entregamos um Portugal sem troika. Recebemos um Portugal na bancarrota, com o esforço dos portugueses o que temos hoje é um Portugal credível. Recebemos um Portugal em recessão, conseguimos, com os parceiros sociais, levar Portugal a um ciclo de crescimento económico. Recebemos um Portugal cujo prestígio no mundo estava reduzido a pó e aquilo que entregamos é um país que é respeitado no mundo por ter superado uma crise dificílima. Atrás de nós virá quem melhor fará."


Em véspera da tomada de posse do novo Governo liderado por António Costa, o líder do CDS-PP insistiu no ataque aos socialistas.
 

"Deixaram o país falido e bazaram. Agora que os portugueses puseram as contas em dia, já lhe parece interessante governar, mesmo perdendo as eleições."


Paulo Portas disse, também, estar "muito preocupado" com as consequências económicas e a perda de confiança que poderão resultar de um Governo socialista aliado às "forças radicais".

"Estou preocupado com as consequências do ponto de vista económico que tem esta viragem muito à esquerda e este tipo de acordos que o PS faz com forças radicais", afirmou.

Para Paulo Portas, o crescimento da economia, do investimento, do emprego e das exportações dependem de uma palavra: "confiança".

"Eu estou preocupado com o facto de os indicadores de confiança, depois das eleições, terem começado a abrandar, estou preocupado com as revisões em baixa do crescimento, depois da aliança com os radicais, e estou preocupado com o adiamento de decisões de investimento e consequências nas exportações, com partidos antieuropeus a ter acesso à esfera do poder", reforçou.

O líder democrata-cristão admitiu que PS, PCP e Bloco de Esquerda estejam "eufóricos", mas considerou que a maioria dos portugueses está "inquieta e preocupada".
 

"Muito cuidado com o que esta abertura à extrema-esquerda pode fazer à economia portuguesa."


"Estamos a 35 dias de ter um défice abaixo dos 3%, pela primeira vez. Deus permita que não estraguem esse défice inferior a 3%", acentuou.

Num jantar comemorativo dos 40 anos do 25 de Novembro, Paulo Portas considerou ainda "incompreensível" ver o PS "incomodado" com a evocação do 25 de Novembro, por não ter participado na cerimónia para assinalar a data, no Parlamento.

"Que o PCP e os antecedentes do BE tenham um problema com o 25 de Novembro, todos percebemos, porque eles continuam a achar que o que deveria ter acontecido era o triunfo dos extremistas. Agora, que o PS tenha um problema com o 25 de Novembro é que eu acho incompreensível", sustentou.

Para o líder do CDS-PP é "um muito mau sinal dos tempos" ver o PS, "que esteve na linha da frente na defesa da liberdade no 25 de Novembro" fique com um "desconforto" só porque "agora escolheu uns companheiros de viagem que antes estavam do lado de lá".