O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, garantiu esta quinta-feira que a coligação não esteve no Governo com qualquer tipo de calculismo, considerando que se o executivo tivesse "andado a syrizar", tinha falhado.

Passos Coelho voltou a criticar a falta de apoio ao longo destes últimos quatro anos "daqueles que acharam que se tudo corresse bem, tudo poderia ser mau para eles nas eleições, mesmo que isso tivesse que ser mau para Portugal".

"Nós não estivemos no Governo com nenhum calculismo. Só tivemos uma preocupação: não falhar. Se tivéssemos andado a ‘syrizar’, como tantos queriam e diziam que seria bom para a Europa e para Portugal, se nós tivéssemos seguido esse caminho, nós teríamos falhado", concluiu.
 

Reestruturação do Novo Banco é normal, diz Passos


O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, considerou "normal e natural" que a administração do Novo Banco proceda a uma reestruturação, e reiterou a confiança no governador do Banco de Portugal para concluir a venda do banco.

"Ninguém pode estar um ano sem fazer gestão séria do banco, não pode estar a permitir que o banco perca valor simplesmente porque está à espera que haja um novo dono para poder gerir e oferecer uma perspetiva de valorização de mercado e de futuro ao banco. Eu acho que isso é normal e natural e não aí há nenhum atropelo das regras normais que se devem aplicar nestes casos", afirmou Passos Coelho sobre a reestruturação anunciada pela administração do Novo Banco.

Numa entrevista à RTP, conduzida pelo jornalista Vítor Gonçalves, Passos Coelho renovou ter "toda a confiança no Banco de Portugal e no governador para concluírem este processo de venda", sublinhando que o banco central é a instituição com melhores condições de independência, autonomia e equidistância para o fazer.

O também primeiro-ministro foi questionado sobre o atraso no funcionamento do chamado banco de fomento, respondendo que essa instituição financeira de desenvolvimento só agora está em condições de gerir os fundos comunitários que começam a chegar.

"Esta instituição está a funcionar, mas o essencial da sua função era gerir fundos europeus que só agora estão a chegar à economia", afirmou, sublinhando que serão investimentos que terão um retorno e não serão a fundo perdido, como no passado.


Ainda sobre o Novo Banco, Passos Coelho reiterou que a alternativa à resolução seria a nacionalização, com as "más consequências" que se verificaram com o BPN, e voltou a afirmar que apoia a decisão do Banco de Portugal de não vender já o Novo Banco e aguardar por condições de mercado mais favoráveis.

"Não quero fazer muitos comentários sobre isso. Não é uma defesa por causa das eleições, é uma questão que está relacionada com a estabilidade financeira, o Novo Banco não é um banco qualquer, representa 20%, quase, do mercado bancário em Portugal", justificou.

Passos Coelho considerou ainda que a gestão deste processo pelo Banco de Portugal é a mais adequada porque o banco central conhece a indústria e tem "uma posição imparcial e independente para vender um dos bancos num processo que é suportado, pago, por todos os bancos".

"Não estou a ver nenhuma outra instituição que pudesse reunir estas condições e características que pudesse garantir um processo independente do restante sistema financeiro. A alternativa seria, no quadro desta legislação, criar uma instituição nova que só tivesse como missão resolver o banco, e não me parece que isso fosse eficiente".

Faz “todo o sentido” Portas voltar a ser vice-primeiro-ministro


O presidente do PSD afirmou ainda que se voltar a formar Governo faz sentido Paulo Portas continuar como vice-primeiro-ministro e que, independentemente do resultado das eleições, o PSD estará disponível para acordos de regime sobre Segurança Social.

"Se eu ganhar as eleições, o Governo será conhecido depois de eu ganhar as eleições mas ninguém estranhará que, sendo o doutor Paulo Portas o presidente do segundo maior partido, que ele continue como vice primeiro-ministro. Isso é o que tem todo o sentido face à nossa experiência", afirmou Pedro Passos Coelho.


Numa entrevista à RTP, conduzida pelo jornalista Vítor Gonçalves, Passos Coelho recusou mais comentários sobre um futuro elenco ministerial, nomeadamente sobre a continuidade de Maria Luís Albuquerque nas Finanças, considerando que esta é uma matéria em que tem de haver "cerimónia".

Sobre acordos com o PS para a Segurança Social, Passos afirmou ter "a certeza absoluta que o PSD estará no dia a seguir às eleições, qualquer que seja o resultado, disponível, para fazer um acordo de regime sobre a Segurança Social".

Questionado sobre se isso será independente da liderança do PSD respondeu: "Isso não tenho dúvida nenhuma".

Perante a insistência para que esclarecesse se ficará na presidência do PSD mesmo que não ganhe as eleições, respondeu com o seu passado enquanto líder da oposição.

"Não estou como candidato novamente a primeiro-ministro a dizer às pessoas que estou a pensar o que vai acontecer se eu perder. Mas os portugueses sabem uma coisa, é que eu já estive no maior partido da oposição como líder, antes de ser primeiro-ministro presidi ao PSD na oposição e, não por ter grande proximidade ou gostar muito do governo socialista de então, não faltei com o apoio que era indispensável - várias vezes, não foi uma - para ajudar o país a evitar um resgate", afirmou.


 presidente do PSD disse não colocar cenários pós-eleitorais, exceto para se dirigir aos portugueses que possam acordar "no dia a seguir às eleições com um resultado que não fosse o que eles queriam", numa referência a potenciais abstencionistas da área política da coligação PSD/CDS-PP.

Antes, Passos Coelho já se tinha dirigido diretamente a estes eleitores, falando de uma "parte do eleitorado que votou nos dois partidos há quatro anos e que ainda não está reconciliada com o voto que teve" e com a ação do Governo.

"Acho que se pensarem bem, esses eleitores, olhando para as experiências que outros países seguiram, nós não podíamos ter feito as coisas de maneira muito diferente. Quando nós não temos muito dinheiro, temos um défice de 11% e temos de reduzir, só temos de cortar despesa - ou se não nos deixarem cortar despesa, como aconteceu algumas vezes, por imperativo constitucional, que eu respeito - resta-nos a via dos impostos", argumentou.

Passos reclamou ter dado sempre a cara por essas medidas, podendo hoje dizer a esses eleitores que "o pior que podia ter acontecido" era o país não ter sido "bem-sucedido", colocando a hipótese de um segundo ou terceiro resgate.

"Se esses eleitores, porque não gostaram das medidas que nós tomámos, porque se sentiram desiludidos com o caminho porque tinham outras expectativas, entenderem não ir votar, é muito possível no dia a seguir às eleições terem um resultado com que não contam", disse.

Esse "resultado perverso", argumentou, seria o de que todos os sacríficos que fizeram "possam ser atirados pela janela e que o país possa regredir vários anos".

Segundo Passos Coelho, isso pode acontecer devido à "instabilidade política", com um Governo PSD/CDS-PP minoritário, ou com "um governo capitaneado pelo PS, prisoneiro de partidos como o BE ou o PCP, que acham que Portugal não deve estar na NATO ou no euro".

O líder social-democrata sublinhou que tem assistido a pontos de contacto entre o PS e PCP e BE.