O vice-primeiro-ministro admitiu que a notícia veiculada esta quinta-feira sobre os cortes que estão a ser ponderados nas pensões «foi um erro».

«O que aconteceu foi um erro, não devia ter acontecido», afirmou, sem referir o secretário de Estado da Administração Pública, que deu a informação aos jornalistas..

«O grupo de trabalho não concluiu a sua tarefa, não fez qualquer proposta, não conheço qualquer documento e é evidente que o Governo não pode ter feito qualquer avaliação política, muito menos tomado qualquer decisão», explicou.

Portas: Qualquer saída do programa de assistência «será limpa»

Dirigindo-se a Paulo Portas, o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, tinha interrogado o vice-primeiro-ministro por que razão «censurou» da sua intervenção inicial no debate «o briefing do senhor secretário de Estado onde propunha um terramoto nas pensões».

«Era um briefing oficial, que foi dado por um secretário de Estado do Governo», insistiu, questionado Paulo Portas, a quem chamou de «presidente do partido dos pensionistas», se a sua «omissão» é resultado de «censura ou consciência pesada».

Além do BE, a questão dos cortes nas pensões foi igualmente abordada pelos comunistas, com o líder da bancada do PCP, João Oliveira, a defender que Paulo Portas tem «obrigação» de explicar que medidas é que o Governo tem em preparação para «perpetuar os cortes nas pensões que até aqui eram feitos por via da CES [Contribuição Extraordinária de Solidariedade]».

Antes, o BE classificou a ação do Governo como estando assente na «dissimulação, chantagem e destruição».

«Há três características que descrevem o Governo e a sua política ao longo destes três anos de troika: dissimulação, chantagem e destruição», acusou a coordenadora bloquista Catarina Martins.

A deputada do BE referiu-se à mais recente polémica sobre o facto de fonte oficial do Ministério das Finanças ter veiculado a informação de que o executivo de Passos Coelho e Paulo Portas se prepara para tornar permanentes os cortes nas pensões, algo entretanto contrariado pelo Primeiro-Ministro e pelo Ministro da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares.

«Na corrida frenética da propaganda eleitoral temos visto um pouco de tudo - do debate sobre as divergências insanáveis que nunca tiveram conteúdo para lá da folha de rosto à concorrência entre agências de comunicação dentro do próprio Governo que provocam os números tristes, mas reveladores, de um secretário de Estado que anuncia o que o ministro nega, mas todos sabemos que é o que se prepara», disse.

Também o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, defendeu depois que o que separa a troika do pós-troika são «mais uns pozinhos de austeridade», porque os cortes «estão para ficar».

«Houve mesmo um briefing e foi o secretário de Estado que lançou para a comunicação social aquelas que são as ideias que o Governo quer levar por diante», insistiu.