O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, defendeu este domingo uma resposta coordenada da União Europeia à crise dos refugiados, afirmando que "o Mediterrâneo é o berço de uma civilização, não pode ser a sepultura" de vidas e valores.

"É preciso responder coordenadamente e com responsabilidade no quadro da União Europeia. O problema não é da fronteira de um país ou de outro, é da fronteira externa da União Europeia e, hoje em dia, da sua própria fronteira interna."


O também vice-primeiro-ministro falava na ‘rentrée' do CDS-PP, o encerramento da Escola de Quadros do CDS-PP, que decorreu em Ofir, no concelho de Esposende, desde quinta-feira.

Numa referência aos muitos refugiados que chegam à Europa pelo Mediterrâneo, em embarcações precárias, em viagens em que perdem frequentemente a vida, o número dois do Governo afirmou que o Mediterrâneo não pode ser uma "sepultura" de vidas e valores.

"O Mediterrâneo é o berço de uma civilização, não pode ser a sepultura trágica de vidas humanas e dos nossos valores."


Portas sublinhou que "esta crise não é uma clássica crise de emigração", mas a "maior crise humanitária" na Europa desde a II Guerra Mundial.

"Há uma responsabilidade objetiva do Ocidente e da própria Europa na deterioração das situações de guerra que devastam vários países do Médio Oriente, e todos o sabemos."

Para Portas, "a Europa deve responder com valores que estão na sua fundação: o humanismo cristão e o humanismo laico reconstruiram este continente devastado por duas guerras mundiais no século XX".

"A inação não responde ao desespero. Devemos responder. Devemos ser humanistas com aqueles que esperam da Europa, porventura, um sopro de vida com dignidade e reservar a intolerância para as mafias que exploram a miséria alheia e organizam o tráfico de pessoas", argumentou.