O líder do CDS-PP sustentou hoje que há uma operação em curso para sequestrar os votos da coligação, defendeu que o Presidente deve indigitar Passos Coelho a formar Governo e dramatizou as consequências económicas de PCP e BE no poder.
 

"A coligação espera, com serenidade, que o Presidente da República, no exercício das suas competências e após a audição dos partidos, indigite o doutor Pedro Passos Coelho para formar Governo no quadro da coligação que venceu as eleições", afirmou Paulo Portas, que argumentou que há "2,6 milhões de portugueses que votaram na coligação, que têm neste momento o sentimento que há uma operação em curso para sequestrar o seu voto".


À saída de uma reunião com a Confederação Empresarial, Paulo Portas frisou ainda que à hora que falava (cerca das 16:30) aqueles partidos ainda não tinham recebido "uma linha" do PS em resposta às propostas enviadas por PSD e CDS-PP aos socialistas, na terça-feira à tarde, para "um compromisso" para "a governabilidade".
 

"A coligação não recebeu até hoje à hora a que vos falo [cerca das 16:30] uma só linha escrita do PS no sentido de nos dizer se consideram que a nossa proposta não é suficiente, então, para eles o que seria suficiente", afirmou, considerando que "os portugueses podem medir quem é que está neste processo com autenticidade e boa-fé".


Portas insistiu que "é absolutamente evidente" do ponto de vista da tradição constitucional e do "bom senso da população", que "quem vence as eleições deve receber o mandato para a formação do governo".

"Está em curso uma tentativa de alterar esse princípio de bom senso e, porventura, o doutor António Costa não tem bem a noção do sentimento que está a gerar na sociedade portuguesa. Não são apenas os 2,6 milhões de portugueses que votaram na coligação, que têm neste momento o sentimento que há uma operação em curso para sequestrar o seu voto, o voto que deram à coligação para poder governar, são também muitos portugueses que não votaram na coligação, mas que são democratas e sabem que a democracia tem regras", afirmou.

Para Portas, a coligação Portugal à Frente ganhou sem maioria absoluta e fez "a leitura correta" desse resultado, interpretando que os eleitores querem que os partidos que a compõem governem mas chegando "a compromissos" com "o único partido" com o qual partilham o mesmo entendimento sobre a União Europeia, o euro e a Aliança Atlântica.

Depois da reunião com a confederação dos empresários, a primeira de um conjunto de encontros com os parceiros sociais a pedido dos partidos que formaram a coligação pré-eleitoral Portugal à Frente (PSD/CDS-PP), Portas dramatizou o que considera serem as consequências de comunistas e bloquistas poderem integrar um governo.

"Estamos a iniciar um ciclo de crescimento económico e de criação de emprego, pergunto: alguém acha que é de bom senso pôr a governabilidade do país nas mãos do PCP ou do BE no preciso momento em que nós mais precisamos de confiança, para ter mais crescimento económico para atrair mais investimento e criar mais emprego", afirmou.
 

"Pôr a governabilidade do país nas mãos de acordos precários, com o PCP ou o BE não fará certamente bem à confiança em Portugal, à estabilidade que o país precisa e que nós queremos acelerar e à criação de emprego que vem do investimento. (…) O interesse do país é mais importante do que qualquer manual de sobrevivência partidária", acrescentou.


O líder do CDS-PP e vice-primeiro-ministro em exercício seguiu da reunião com a confederação empresarial para um encontro com a Confederação dos Agricultores de Portugal.

Além de Portas, a delegação de PSD e CDS foi composta pelo vice-presidente do PSD Marco António Costa, o dirigente social-democrata Luís Montenegro e o dirigente centrista Pedro Mota Soares.