O PCP defendeu, esta segunda-feira, que «o país não pode deixar que se liquide definitivamente a PT como grande e estratégica empresa nacional de telecomunicações» e quer explicações do vice-primeiro-ministro, dos ministros das Finanças e da Economia e de Zeinal Bava.

«O país não pode deixar que se liquide definitivamente a PT como grande e estratégica empresa nacional de telecomunicações. Há que travar a estratégia exterminadora do capital privado para a venda da PT. O Governo pode e deve opor-se a tal desfecho e criar as condições para garantir a PT como empresa de capitais nacionais, sob controlo público, que coloque o setor das telecomunicações ao serviço do povo e do país», afirmou Agostinho Lopes, do Comité Central do PCP.

Em conferência de imprensa na sede do PCP, em Lisboa, Agostinho Lopes anunciou que os comunistas apresentaram hoje na comissão parlamentar de Economia um requerimento para a realização de audições com o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, o ministro da Economia, Pires de Lima, os presidentes da CMVM e da ANACOM e de Zeinal Bava.

Além dos pedidos de audição, o PCP apresentará um projeto de resolução recomendando ao Governo «a urgente suspensão de qualquer negócio de titularidade da PT, inclusive tendo como referência a posição do Novo Banco».

Agostinho Lopes anunciou que o projeto de resolução recomendará também «o estabelecimento de negociações com o governo brasileiro relativamente à evolução da composição acionista PT/Oi» e a «criação pelo Ministério da Economia de uma estrutura destinada a acompanhar toda a evolução da situação, e para criar condições à defesa da PT como grande empresa nacional de telecomunicações sob controlo público».

Na semana passada, a Oi anunciou ao mercado que Zeinal Bava, um dos rostos do processo de fusão entre a PT e a Oi, tinha pedido a demissão da presidência da empresa brasileira.

O gestor, que tinha assumido a presidência da Oi em junho de 2013, quatro meses antes do anúncio da fusão das duas operadoras, sai do cargo ainda no rescaldo do efeito dominó provocado pelo investimento de cerca de 900 milhões de euros da operadora portuguesa em papel comercial da Rioforte, do Grupo Espírito Santo (GES), de que a empresa nunca foi reembolsadada.

O grupo francês Altice manifestou entretanto interesse em comprar a PT Portugal.