Destacar «as coisas boas» não é «ignorar os problemas», mas sim ter autoestima e confiança de que Portugal está a conseguir dar a volta à economia com «o esforço» e «a dignidade» dos portugueses, disse hoje Paulo Portas.

«É uma boa notícia para Portugal. É algo que os portugueses merecem. Têm feito um esforço enorme e com imensa dignidade, do meu ponto de vista, para conseguir alcançar os objetivos que Portugal tem que cumprir com uma missão externa», declarou o vice-primeiro-ministro, em declarações a jornalistas portugueses em Madrid onde hoje participa num jantar com empresários e responsáveis da escola de negócios IE.

Para o governante português, «o facto de a economia portuguesa ter crescido dois trimestres, de Portugal ter saído da recessão técnica, é uma boa notícia».

Paulos Portas profere na sexta-feira o discurso inaugural da reunião anual de alunos da IE, onde participam centenas de responsáveis empresariais, mantendo ainda um encontro com jornalistas estrangeiros.

Na curta conversa com os jornalistas portugueses, o vice-primeiro-ministro recusou-se a comentar qualquer outra questão para além do que disse ser a «suficientemente importante» notícia sobre os dados do Porduto Interno Bruto (PIB) português.

«O que interessa aos cidadãos portuguesa, aos desempregados, ao pequenos e médios empresários, à classe média portuguesa, é saber se estes anos, que foram mais de 10 trimestres em recessão, por termos divida a mais e défice a mais, estão a ficar para trás, se a economia portuguesa está a dar a volta», afirmou, sublinhando: «Se temos coisas boas para dizer, isso não é ignorar os problemas. É ter autoestima e transmitir confiança».

Questionado sobre se os portugueses acreditam nesta mensagem de confiança, Portas foi lacónico: «acho que os portugueses acreditam neles, porque são eles que estão a dar a volta».

Portas insistiu em destacar a saída da recessão técnica, afirmando que, apesar de «não se pode dar por garantido» o crescimento, essa é uma condição essencial para que se crie emprego.

«A economia portuguesa cresceu mais que a média da zona euro - em Portugal 0,2% e na zona euro 0,1%. Por outro lado é um crescimento em cadeia. Se fizermos uma análise face a trimestres homólogos, Portugal tinha caído 4 por cento, depois 2 por cento e agora só 1 por cento», explicou.

Segundo Portas, estes indicadores significam que Portugal está «a estabilizar e que é possível ter a esperança de que a economia portuguesa está a dar a volta, que há sinais de confiança e que, para isso, inúmeros atores, entre os quais as exportações, têm contribuído de uma forma positiva».

Esta, segundo explicou, é a mensagem que pretende transmitir aos investidores e clientes espanhóis com quem vai estar reunido.