O secretário-geral do PCP disse, esta quinta-feira, à Lusa, em Lisboa, que a contratação do ex-vice-primeiro-ministro Paulo Portas pelo grupo Mota-Engil é eticamente inaceitável.

Considero que [a contratação] pode ser legítima e pode ser legal, mas convenhamos que, no plano ético, é difícil de aceitar”, disse Jerónimo de Sousa, depois de questionado pela agência Lusa sobre a recente entrada do ex-vice-primeiro-ministro Paulo Portas no grupo construtor Mota Engil.

Para o secretário-geral do PCP a questão ética deve ser sublinhada e recordou que os comunistas já apresentaram várias propostas de regulação sobre esta matéria na Assembleia da República.

Nessa área, nós já apresentamos, no passado recente, várias iniciativas que não tiveram vencimento. Mas, insisto, não basta legitimidade, não basta legalidade porque à mulher de César não basta ser, é preciso parecer. Neste caso a questão ética está colocada”.

Paulo Portas, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, da Defesa e ex-vice-primeiro-ministro, vai apoiar a Mota-Engil na internacionalização e criação de um conselho estratégico para a América Latina, disse na segunda-feira o presidente do Conselho de Administração do grupo construtor, António Mota.

O doutor Paulo Portas entrará como consultor e o objetivo é apoiar-nos na internacionalização, com grande incidência na América Latina, mas também para outros mercados onde a Mota-Engil ainda não está presente", afirmou António Mota, quando questionado pela Lusa sobre quais as funções que o ex-vice-primeiro-ministro do Governo liderado por Pedro Passos Coelho iria exercer.

O responsável e acionista do grupo adiantou que Paulo Portas vai criar um conselho estratégico dentro da Mota-Engil para a América Latina, que será composto por elementos do grupo e por pessoas dos países onde a empresa já está presente, como é o caso do México, Colômbia, Peru e Brasil.

A Mota-Engil marca atualmente presença em 22 países, repartidos por três áreas geográficas: Europa, África e América Latina, segundo a informação disponível na página do grupo na internet.

O lucro da Mota-Engil disparou para 64 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, um crescimento face aos 3,4 milhões de euros do período homólogo de 2015.