O deputado socialista Paulo Pisco criticou a intenção do ministério dos Negócios Estrangeiros de contratar estagiários para as embaixadas e consulados, perguntando se será essa a medida do Governo para «resolver a brutal carência de recursos humanos».

Numa pergunta entregue esta quinta-feira na Assembleia da República, dirigida ao ministério de Rui Machete, o deputado refere que «o número de diplomatas, técnicos e funcionários em serviço nas embaixadas e consulados portugueses espalhados pelo mundo foi reduzido de forma brutal nos últimos anos, criando enormes dificuldades no funcionamento das embaixadas e gerando situações de quase rutura em muitos consulados, ainda por cima num contexto de acentuado aumento da emigração».

Paulo Pisco menciona que está prevista a contratação de estagiários para os serviços periféricos externos do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), por períodos de um ano, não prorrogáveis.

Na terça-feira, na abertura do seminário diplomático, Rui Machete anunciou que o ministério vai selecionar, ao abrigo do programa de estágios profissionais na administração central, 130 estagiários, que vão ser colocados nos serviços externos, nas áreas de diplomacia económica, política comercial e apoio consular.

«Tudo indica, portanto, que as enormes carências de diplomatas, técnicos e funcionários nos serviços externos do MNE serão "colmatadas" com estes estágios, o que levanta um conjunto de interrogações a que o Governo deve responder», critica o deputado, eleito pelo círculo da Europa.

Desde logo, o deputado do PS diz que, ao fim de um ano de trabalho, os estagiários terminam as suas funções, sem que sejam aproveitados «os conhecimentos e competências que adquiriram», e «as carências de pessoal regressam ao que eram antes».

«Por que razão o programa não prevê a possibilidade de alguns estagiários continuarem a desempenhar as mesmas funções no ministério?», questiona.

O socialista interroga o ministério sobre se está prevista a contratação de novos diplomatas, funcionários consulares e técnicos, «independentemente da colocação destes estagiários».

Na terça-feira, o chefe da diplomacia portuguesa adiantou ainda que o Governo vai abrir «a breve prazo, um concurso de ingresso na carreira diplomática para 25 novos adidos».

O deputado refere também que «importa saber quantos serão os estagiários com funções em embaixadas, quantos no âmbito da AICEP e quantos nos postos consulares e em que países e cidades e, ainda, quando iniciarão funções».

Pisco defende ainda que uma parte destes estágios deve ser aberta a jovens portuguesas que estão emigrados, lembrando que Portugal «tem uma obrigação particular relativamente aos residentes no estrangeiro».

Segundo Rui Machete, este ano, a aposta do ministério é a «estabilização da rede diplomática e consular, com moderação e racionalização de meios», estando prevista a abertura de embaixadas no Panamá e Astana (Cazaquistão) e de representações diplomáticas em Baku (Azerbaijão), Nairobi (Quénia) e Malabo (Guiné Equatorial), além de um novo consulado na província administrativa de Cantão, na China.