O deputado comunista João Oliveira acusou esta quarta-feira o Governo de «vender a ilusão» de que todos os problemas vão desaparecer após o atual programa de assistência externa e quer ouvir o ministro da Saúde no Parlamento.

Numa declaração política no plenário da Assembleia da República, o líder da bancada parlamentar do PCP apontou o exemplo de uma doente com cancro que esperou dois anos por um exame para declarar que o executivo da maioria PSD/CDS-PP «está a condenar à morte antecipada os portugueses», como se lê no requerimento para ouvir Paulo Macedo na Comissão Parlamentar de Saúde.

«O Governo e a maioria anunciam o final do pacto e a saída da troika como o momento em que se iriam embora todos os nossos problemas», afirmou, sublinhando que aqueles responsáveis «tentam vender a ilusão de que tudo aquilo que foi imposto aos trabalhadores e ao povo nos últimos três anos foi obra exclusiva da troika estrangeira».

Para João Oliveira foi o «Governo PSD/CDS-PP a executar fielmente todas as medidas, sem oposição do PS» e até a assumir «querer ir mais longe que a troika no roubo de direitos e de futuro de quem trabalha».

O deputado do PS José Junqueiro e o líder da bancada do BE, Pedro Filipe Soares, questionaram o deputado comunista sobre a constante «teimosia» e os «atropelos» do executivo de Passos Coelho e Paulo Portas à Constituição.

«Faz lembrar um condutor que provocou um acidente porque vinha em contramão e diz que a culpa é do código da estrada. Um Governo que atua à margem da lei, confrontado com o Tribunal Constitucional, diz que a culpa é do tribunal», afirmou Junqueiro, enquanto o bloquista afirmou que o executivo da maioria parece querer provar que «as regras é que estão erradas».

O parlamentar comunista mostrou-se certo que «o confronto do Governo com a Constituição» é algo «propositado porque tem um programa político para cumprir contrário à Constituição e à democracia» e «está a fazer um caminho para desfigurar a Constituição».

«Não é a troika a responsável pelas políticas, é este Governo e os três partidos que as assinaram. O que se está a preparar para fazer é para tornar permanentes as medidas que disse serem temporárias, numa perpetuação de um rumo de retrocesso e exploração dos trabalhadores», defendeu João Oliveira.