O Bloco de Esquerda (BE) acusou hoje o ministro da Saúde, Paulo Macedo, de preferir «tratar da saúde» dos credores de Portugal que da dos doentes, voltando a criticar a ideia do Governo em criar uma urgência metropolitana de Lisboa.

«Temos um ministro que preferiu tratar da saúde aos credores do que tratar da saúde dos doentes. Enquanto assim for, o problema das urgências não deixará de se agravar», disse hoje o coordenador do partido João Semedo.

O bloquista falava depois de uma reunião de mais de uma hora com a administração do hospital Amadora-Sintra, numa visita que integrou o «Roteiro da Saúde» promovido esta semana pelo partido, que tem visitado várias unidades hospitalares.

Semedo reiterou a crítica à política de «cortes orçamentais» na área da Saúde, que motivam episódios «que infelizmente todos os dias a comunicação social relata», nomeadamente ao nível dos tempos de espera nas urgências hospitalares.

BE e também PCP apresentam hoje no parlamento projetos de resolução onde reclamam um travão sobre a reforma das urgências na grande Lisboa.

O BE, que recomenda ao Governo a apresentação de uma planificação credível sobre a reforma das urgências na grande Lisboa, considera no projeto de resolução que «têm sido tomadas decisões inexplicáveis à luz do rigor, do bom senso e da boa gestão da «res publica».

«Este Governo tem sido prolífico na produção de relatórios inconsequentes; mas, enquanto os cães ladram a caravana passa, ou seja, de relatório em relatório, de consultora em consultora, vão-se fechando serviços e valências, desmantelando unidades, encerrando hospitais ou transferindo profissionais», lê-se no projeto de resolução bloquista.

O BE receia que, «no final, nada estará como antes e tudo estará pior para os utentes».