O ministro da Economia convidou o deputado socialista, Paulo Campos, e a deputada do BE, Mariana Mortágua, a "mergulharem na realidade", enquanto o deputado comunista, Bruno Dias, recusou apanhar a “boa onda” do governante.

Em audição na comissão parlamentar de Economia e Obras Públicas, durante mais de cinco horas, Pires de Lima respondeu, sobretudo, a questões sobre a privatização da TAP, mas também a muitas dúvidas sobre a governação, que fez com que o país deixasse “a divisão da bancarrota”.

“Acabámos a assistência financeira, entrámos numa trajetória de crescimento económico, ainda que moderado. E eu, realmente, alimento a esperança de que possamos terminar esta legislatura com uma taxa de desemprego inferior à que recebemos como legado do PS”, declarou Pires de Lima, ilustrando com números relativos à criação de empresas, desemprego e investimento.


A "onda", o "mergulho" e o "treinador"


Bruno Dias recusou apanhar esta “boa onda” do ministro da Economia em funções há dois anos, uma vez que “a generalidade da população não sente a boa onda”.

“Meio milhão de portugueses a ir para o estrangeiro não é boa onda. As pessoas não partiram à aventura para se divertir num projeto de emoções fortes”, defendeu o deputado comunista, manifestando ainda preocupação em relação ao investimento e à sua qualidade, receando tratar-se de investimento “beduíno”, isto é, empresas a aproveitarem uma oportunidade e que partem quando deixa de ser vantajoso.

Diferendo à parte, Pires de Lima colocou as suas preocupações lado a lado com as do deputado comunista: “Não creio que exista nenhuma divergência entre mim e si quanto à relevância que damos ao desemprego em Portugal. Não tem um coração mais preocupado do que o meu. Não viva com esse preconceito".

Mas foi com a deputada Mariana Mortágua que Pires de Lima mais se bateu, com o governante a convidá-la “a mergulhar na realidade” para perceber a verdade sobre o investimento em Portugal, e a terminar com uma correção sobre a taxa de estágios do IEFP que se convertem em empregos.

Depois da bloquista ter considerado estes estágios um expediente para criar emprego artificial, Pires de Lima garantiu que 80% dos estagiários acabam por conseguir emprego no final dos estágios, tendo depois corrigido para 70%, dos quais 30% nas empresas onde estagiaram.

Admitindo "visões completamente diferentes", o ministro considerou a deputada "muito inteligente e muito hábil", acusando-a de o tentar confundir com os números relativos à balança comercial.

"Sou ministro da Economia real, não da economia baseada em inquéritos", disse Pires de Lima, em resposta à deputada.


Já o debate com Paulo Campos centrou-se na "rábula futebolística", com o socialista a acusar a maioria PSD/CDS-PP de ter conduzido o país da Liga Europa para a 2ª. divisão, mas o governante contou uma história diferente.

"Creio que o senhor deputado fazia bem em cair na realidade, porque (...) um treinador que faça a sua equipa descer de divisão não é reconduzido. O senhor deputado devia ter uma memória apurada, porque foi isso que aconteceu ao engenheiro José Sócrates", declarou o governante, na última audição regimental desta legislatura.


No final da sua intervenção, Pires de Lima pediu desculpa aos deputados por estes não terem obtido respostas a todas as questões enviadas ao ministério, depois do secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, ter feito 'mea culpa'.

"A maioria" das perguntas sem resposta são "da minha responsabilidade" disse o secretário de Estado.

Pires de Lima apontou que Sérgio Monteiro teve "81 presenças no parlamento" durante a legislatura, passando quase "mais tempo no parlamento que na Horta Seca", onde fica o ministério, como reporta a Lusa.

O governante agradeceu o "espírito colaborativo" dos deputados, naquela em que foi a sua última audição regimental enquanto ministro, praticamente dois anos após ter assumido a pasta.