Notícia atualizada às 23:15

A vice-presidente da Câmara Municipal do Funchal, Filipa Jardim Fernandes, e os vereadores Edgar Silva e Gil Canha, eleitos pela coligação "Mudança", anunciaram esta sexta-feira que vão apresentar formalmente a sua demissão ao presidente da autarquia.

«Na próxima segunda-feira entregaremos formalmente a nossa demissão, estando disponíveis para passar as pastas que nos foram confiadas e os processos que temos em andamento a quem o presidente indicar», informaram os autarcas Filipa Jardim Fernandes e Edgar Silva em comunicado esta sexta-feira.

A crise no executivo da Câmara do Funchal foi despoletada na semana passada pela decisão do presidente Paulo Cafôfo (eleito em setembro pela coligação PS/BE/PND/MPT/PTP/PAN) de redistribuir os pelouros pelos vereadores da sua equipa. O vereador Gil Canha (PND) discordou da decisão de lhe ser retirado o pelouro da Fiscalização Municipal, acabando por rejeitar todas as competências e por apresentar a demissão, esta sexta-feira, pouco depois de Filipa Fernandes e Edgar Silva.

«Demito-me de todos os cargos de vereador e peço desculpa a todas as pessoas que votaram em mim», afirmou Gil Canha, em declarações à agência Lusa.

«Com a decisão de nos demitirmos mostramos que não estamos agarrados a tachos e a cargos, que na política ainda há ética, princípios e não vale tudo», sublinhou.

No comunicado emitido por Filipa Jardim Fernandes e Edgar Silva, os executivos consideram que esta crise «não é uma questão de partidos ou de pessoas, mas uma questão de boa governabilidade».

«Por respeito aos funchalenses e a todos os colaboradores da Câmara Municipal do Funchal, de forma a devolver a tranquilidade que a cidade merece e não bloquear qualquer solução, não resta outra alternativa do que apresentar a demissão dos cargos de vereadores e deixar o presidente seguir o seu caminho», sustentam no comunicado.

Os autarcas realçam que depois da vitória da coligação, que derrotou a maioria que o PSD detinha há 38 anos, «os eleitos desde o início quiseram estabelecer na Câmara do Funchal o rigor, a independência, a equidade, a transparência e uma gestão camarária defensora unicamente dos interesses de todos os funchalenses».

Contudo, ao longo dos primeiros meses de governação, referem, foram surgindo «alguns episódios de falta de solidariedade e diálogo do presidente para com os vereadores executivos».

Paulo Cafôfo, indicam, «sem qualquer explicação nem qualquer diálogo prévio com a sua própria equipa executiva, propôs uma alteração de pelouros e poderes, que não foi de imediato aceite por todos, tendo alguns vereadores mostrado algumas reservas».

Os dois autarcas sustentam que o presidente «decidiu unilateralmente retirar todos os pelouros» ao vereador Gil Canha, considerando que esta posição, politicamente, «fratura a coligação», criando um «problema sério de governabilidade da câmara» e constituindo também um «ato injusto para com um colega de equipa».

«Tudo fizemos para fazer ver ao presidente que deveria rever a sua posição», dizem, destacando que a resposta foi «o total silêncio» e que Paulo Cafôfo fez uma declaração pública na quinta-feira sem convocar os vereadores visados.

Filipa Fernandes e Edgar Silva pedem desculpa a todos os que os elegeram e afirmam não poder «pactuar mais com uma liderança que não une mas divide, que em vez de dialogar com a sua equipa executiva fica refém de interesses».

Paulo Cafôfo disse na quinta-feira, justificando a retirada do pelouro da Fiscalização Municipal a Gil Canha, que «estavam a tornar-se insustentáveis as reclamações dos pequenos comerciantes, dos vendedores e pessoas que todos os dias pediam oportunidades, licenças ou espaço para exercer uma atividade económica».

A coligação "Mudança" conquistou nas últimas autárquicas cinco de 11 mandatos, ficando o PSD com quatro lugares. O CDS-PP e CDU têm um representante cada.