O secretário-geral do PS acusou esta sexta-feira o Governo de estar a criar «uma fábula» para efeitos eleitorais, proclamando um «milagre económico», com o primeiro-ministro a contrapor que os socialistas parecem zangados quando há boas notícias.

António José Seguro e Pedro Passos Coelho voltaram esta sexta-feira, durante o debate quinzenal, na Assembleia da República, a travar um debate tenso.

Em sucessivas intervenções, o líder socialista defendeu que a recessão em 2013 foi mais profunda em 0,4 pontos percentuais do que se previra em outubro de 2012, acentuou que a dívida pública atinge os 200 mil milhões de euros, rejeitou que haja criação líquida de emprego por parte da economia real e sustentou que a única melhoria registada no ano passado se deveu ao aumento da procura interna - consequência da decisão do Tribunal Constitucional de repor cortes salariais aos trabalhadores do setor público e cortes nas pen soes aos reformados.

«Não compreendemos qualquer razão para festejos. Não há qualquer milagre económico. Estão a criar uma fábula para efeitos eleitorais», acusou Seguro

Pedro Passos Coelho respondeu dizendo que algumas previsões chegaram a estimar uma recessão de 2,3 por cento em 2013, acabando apenas em 1,4 por cento.

Neste ponto, o primeiro-ministro lançou um repto ao secretário-geral do PS: «Para quem disse ao longo de todo o ano de 2013 e parte de 2012 que o Orçamento do ano passado não podia ser cumprido, para quem dizia que havia uma espiral recessiva, devia ter a possibilidade de se retratar nesta ocasião».

Na questão do emprego, o líder do executivo voltou a advogar que, entre o segundo trimestre e o quarto de 2013, se verificou numa criação líquida de emprego na ordem dos 120 mil postos de trabalho.

Sobre as dúvidas levantadas por Seguro, de que 45 mil emprego terão sido criados na esfera da administração pública, Pedro Passos Coelho acusou o líder socialista de «demagogia» e argumentou que todos os países europeus «têm programas ocupacionais».

«Fica-lhe mal não reconhecer que o emprego aumentou», disse.