O secretário-geral do PCP condenou esta terça-feira aquilo que considera ser «puro manobrismo» do Governo da maioria PSD/CDS-PP a pensar nas eleições europeias e a «austeridade, filha do Tratado Orçamental (TO)», assinado também pelo PS.

Jerónimo de Sousa, que pediu desculpa por só ter chegado na fase final a um encontro sobre ciência e tecnologia, num hotel lisboeta - porque «todos têm o seu calvário» -, tinha estado, mais de uma hora, em reunião com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que recebeu os partidos para discutir o final do programa de resgate a Portugal.

«Estão já a negociar com os mandantes um pequeno interregno na ofensiva desbragada que encetaram contra os interesses da grande maioria dos portugueses», criticou, acrescentando que «ora insinuam baixas de impostos depois do aumento colossal que promoveram, ora uma abertura a um aumento do salário mínimo nacional».

O líder comunista classificou a governação de Passos Coelho e Paulo Portas como o «mais puro manobrismo» e a «mais uma descarada hipocrisia política», ao dizer que aqueles protagonistas «pensam que com mais uma ou outra cedência, um ou outro pequeno rebuçado, que preparam a pensar nas eleições, podem apagar três anos trágicos de destruição do país e de vidas».

«O que está em curso é uma grande encenação imposta pelo calendário eleitoral que se abre com as eleições para o Parlamento Europeu e se prolonga para 2015, com as legislativas», disse.

Para Jerónimo de Sousa as palavras de Passos Coelho «valem tanto como as promessas de que não aumentaria impostos nem cortaria salários nem reformas», quando o primeiro-ministro afirma não estar interessado nos resultados eleitorais.

«Acenam com sinais positivos da evolução do país e falam de uma nova fase com a saída de Portugal da condição que eles próprios chamam de protetorado, mas sabem, de ciência certa, como admitiu o Presidente da República, que nem uma coisa nem outra. A dita libertação é pura fantasia e nada vai mudar na vida dos portugueses a manter-se o atual rumo a que têm vindo a sujeitar o país, quer PSD, quer PS, designadamente através do Tratado Orçamental que ambos aprovaram», continuou.

Segundo o também deputado do PCP, «as opções para o país não se podem limitar a escolher entre os que defendem a fraude da solução da austeridade expansionista e os que aceitam a solução da austeridade inteligente, todas filhas do Tratado Orçamental».

Jerónimo de Sousa fez ainda um retrato trágico do setor da ciência e da tecnologia portugueses, salientando que a «despesa per capita de investigador é mais de três vezes inferior à média da União Europeia a 28 (50 mil euros/ano face a cerca de 165 mil euros/ano)" e que "quase metade dos trabalhadores científicos - 25.000 investigadores a tempo integral - têm vínculos precários", além de criticar os cortes de "40% nas bolsas de investigação, este ano, o que deixou cerca de 5.000 investigadores no desemprego», escreve a Lusa.